
Em uma enorme fazenda, algumas pessoas se reuniram para "reclamar da vida":
— Nossa, gente, não aguento mais trabalhar!Estou morto de cansaço!
— Eu também. Só que com esse salário de fome que recebemos, ainda temos muito mais o que fazer!— Um terceiro homem se aproxima e diz:
— Eu mesmo, pra pagar as contas do mercado tenho que trabalhar um mês e meio...
— Que diabo de vida!
Mais e mais gente se aproxima, até que um dos homens sobe em um pequeno banco e exclama:
— Pessoal, alguma coisa está errada! Trabalhamos feito burros de carga e nada temos! Não podemos ficar aqui parados reclamando! Até podemos, mas não devemos!
— Tem razão!! Vamos fazer...Vamos fazer...Fazer o quê?
— Agente tem que se unir. Se alguém não fizer alguma coisa, morreremos mais miseráveis do que somos agora! Aliás, nossos filhos e netos terão um destino igual ou pior que o nosso!—
Um dos ouvintes na multidão cochicha para o outro:
(— Esse cara fica bancando o tal, mas olha só que roupa imunda ele usa—). Sem se dar conta desse comentário pertinente, o homem continua seu discurso:
— Senhores, separados e alienados do mundo, somos presa fácil para esses exploradores! Isso mesmo, exploradores! Pois quem se aproveita da condição do outro para enriquecer é um explorador! Além disso...— Mais e mais pessoas se juntam aos "cochichadores":
(— E olha aquela barba! Eu não teria nem coragem de sair de casa com uma barba dessas, isto é se eu tivesse uma casa, muito menos discursar pra todo mundo ouvir!)
— Ficar aqui parado, reclamando do nosso "destino" é exatamente o que eles querem! O mundo pode e deve ser mudado! Só por que as coisas são assim não siginifica que tem que ser assim! —
( — Que cara chato! Ele fala cuspindo... hahaha) — Libertemo-nos dessas correntes que nos impedem de...— (— Uuuuuuu! Cala a boca, barbudo!) — Pois na realidade...—(—Sai daí!) eles nos dizem que...— (—Idiotaaa! Ridículoo!! Uuuuuuu! Fora!) — não somos os estúpidos que eles pensam e...(—Fora! Cala a boca!) por que, por que...—
Aos gritos da multidão, o homem se cala, desce do banco e recomeça a trabalhar com sua enxada.
Ainda há esperança?
____________________
Fabiano Che