sexta-feira, 30 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Diálogos existencialistas
(...)
— Pois é, como eu tava te dizendo, não acredito nessa coisa de céu e inferno, sabe?
— Fabiano! Como você pode dizer algo assim? Um menino tão inteligente...
— Inteligente, eu? Então talvez seja por ser inteligente que eu diga isso...
— Se for assim, eu quero morrer burra!
— Só que eu não tenho essa escolha (por isso mesmo é que sou livre).
(...)
____________________
Fabiano Che
— Pois é, como eu tava te dizendo, não acredito nessa coisa de céu e inferno, sabe?
— Fabiano! Como você pode dizer algo assim? Um menino tão inteligente...
— Inteligente, eu? Então talvez seja por ser inteligente que eu diga isso...
— Se for assim, eu quero morrer burra!
— Só que eu não tenho essa escolha (por isso mesmo é que sou livre).
(...)
____________________
Fabiano Che
domingo, 28 de março de 2010
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante
—Alôoooo galerinha!! Está começando mais um Juventude Antenada!! Eu sou Fannie Champignon e hoje teremos aqui em nosso programa a banda pop rock do momento: ALIEN’ados!!
Isso mesmo! O grupo musical que está fazendo a cabeça da moçada! Antes do show, vamos fazer algumas perguntinhas pra esses grandes músicos, boa noite meninos!
—Diga aew, Fannie. Um salve aew pra moçada!
— Pois bem, meninos. Posso dizer com segurança, que vocês representam hoje a nossa galera, a juventude mesmo. E como vocês lidam com isso?
—Haa, isso aew minina. É por que ALIEN’ados é atitude, é rock na veia, tá ligado? E se os muleque manja isso então agente fica moó feliz, saca?
—Sim, sim! Já que tu falaste em atitude, cê não acha que falta um pouco de vontade, de contestação nos jovens? Toda aquela rebeldia parece ter acabado...
—Que isso!! Agente se liga muito no nosso mundo. Lutamos pela natureza aew, contra as grandes corporações e tals...
—Engraçado você dizer isso usando uma camisa de refrigerante, e esse cinto cafona aí, não é de couro de jacaré?
—Pow, isso não tem nada a ver... E não sei se você viu na revista Moda’s da semana passada, agente fez um protesto contra o cara do senado, aew!
—Não, eu não leio essa revista... Protesto? Refresque minha memória, protestaram contra quem e por quê? Aliás, você sabe qual a função do Senado?
—Pow, aew tá me tirando? O Senado serve para... para...Ah, esses político são tudo uns FDP, saca?
—[suspiros] Bem... Encerramos nossa entrevista por aqui. Meninos, poderiam tocar pra gente? Quer dizer... Pensando bem, é melhor não. E corte essa franja, seu tosco!
—Aew, moó nada a ver...
____________________
Fabiano Che
Isso mesmo! O grupo musical que está fazendo a cabeça da moçada! Antes do show, vamos fazer algumas perguntinhas pra esses grandes músicos, boa noite meninos!
—Diga aew, Fannie. Um salve aew pra moçada!
— Pois bem, meninos. Posso dizer com segurança, que vocês representam hoje a nossa galera, a juventude mesmo. E como vocês lidam com isso?
—Haa, isso aew minina. É por que ALIEN’ados é atitude, é rock na veia, tá ligado? E se os muleque manja isso então agente fica moó feliz, saca?
—Sim, sim! Já que tu falaste em atitude, cê não acha que falta um pouco de vontade, de contestação nos jovens? Toda aquela rebeldia parece ter acabado...
—Que isso!! Agente se liga muito no nosso mundo. Lutamos pela natureza aew, contra as grandes corporações e tals...
—Engraçado você dizer isso usando uma camisa de refrigerante, e esse cinto cafona aí, não é de couro de jacaré?
—Pow, isso não tem nada a ver... E não sei se você viu na revista Moda’s da semana passada, agente fez um protesto contra o cara do senado, aew!
—Não, eu não leio essa revista... Protesto? Refresque minha memória, protestaram contra quem e por quê? Aliás, você sabe qual a função do Senado?
—Pow, aew tá me tirando? O Senado serve para... para...Ah, esses político são tudo uns FDP, saca?
—[suspiros] Bem... Encerramos nossa entrevista por aqui. Meninos, poderiam tocar pra gente? Quer dizer... Pensando bem, é melhor não. E corte essa franja, seu tosco!
—Aew, moó nada a ver...
____________________
Fabiano Che
quinta-feira, 18 de março de 2010
Verdade, Bondade, Utilidade
Osnir é novo no trabalho. Ele entrou na empresa através de concurso há pouco tempo e sua aceitação pelos veteranos parece meio complicada. Complicada porque seus colegas com mais de 20 anos de casa pensam que Osnir vai roubar seus respectivos empregos.Enquanto almoçavam, os antigos funcionários conversavam:
— E aquele tal de Osnir, hein? Não fala, é meio caladão — começou alguém.
— Eu nunca ouvi a voz dele — disse outro.
— Dizem que ele se diz um intelectual, por isso não fala com pião como nós — continuou mais um.
— É mesmo? Só porque é concursado ele pensa que pode ignorar a gente?
— Lamentável. Vou começar a ignorá-lo também.
— Um cara desse não merece respeito!
— Vou ver com ele o porquê disso. — finalizou Valdemir.Osnir não é do tipo que fala muito. Culpa da grande experiência de vida, apesar da pouca idade. Ele sabe que sempre tem a oportunidade de ficar calado. Mantém-se sempre atento, ouvindo, e pouco se ouve da sua voz.
Outro dia, no horário de almoço, Valdemir, seu colega, veio lhe falar:
— Cara, porque você não fala com a gente, hein? Fica aí sentado, só ouvindo…
— Nada não.
— Fiquei sabendo de uma história sua aí, e tal…
— …
— Quer saber?
— Quero sim… Mas depende?
— Depende de quê?
— É verdade essa história aí? Tem certeza de que o que te contaram é verdade?
— Rapaz, sei não, foi o que me contaram… Os caras que estão falando aí.
— Ok, é o tipo de coisa que você gostaria que dissessem de você?
— De jeito maneiro!
— Não mesmo?
— Não mesmo!
— E é realmente necessário passar essa história adiante?
— Como assim?
— Essa história que dizem de mim, ela promoverá ganhos ao mundo ou a alguém? Ela é útil? É útil contar essa história ao mundo?
— Não, cara.
— Então eu não quero saber dessa história. Guarde-a para si mesmo.
— …
— Fique sentado aqui perto de mim só ouvindo…
— E aquele tal de Osnir, hein? Não fala, é meio caladão — começou alguém.
— Eu nunca ouvi a voz dele — disse outro.
— Dizem que ele se diz um intelectual, por isso não fala com pião como nós — continuou mais um.
— É mesmo? Só porque é concursado ele pensa que pode ignorar a gente?
— Lamentável. Vou começar a ignorá-lo também.
— Um cara desse não merece respeito!
— Vou ver com ele o porquê disso. — finalizou Valdemir.Osnir não é do tipo que fala muito. Culpa da grande experiência de vida, apesar da pouca idade. Ele sabe que sempre tem a oportunidade de ficar calado. Mantém-se sempre atento, ouvindo, e pouco se ouve da sua voz.
Outro dia, no horário de almoço, Valdemir, seu colega, veio lhe falar:
— Cara, porque você não fala com a gente, hein? Fica aí sentado, só ouvindo…
— Nada não.
— Fiquei sabendo de uma história sua aí, e tal…
— …
— Quer saber?
— Quero sim… Mas depende?
— Depende de quê?
— É verdade essa história aí? Tem certeza de que o que te contaram é verdade?
— Rapaz, sei não, foi o que me contaram… Os caras que estão falando aí.
— Ok, é o tipo de coisa que você gostaria que dissessem de você?
— De jeito maneiro!
— Não mesmo?
— Não mesmo!
— E é realmente necessário passar essa história adiante?
— Como assim?
— Essa história que dizem de mim, ela promoverá ganhos ao mundo ou a alguém? Ela é útil? É útil contar essa história ao mundo?
— Não, cara.
— Então eu não quero saber dessa história. Guarde-a para si mesmo.
— …
— Fique sentado aqui perto de mim só ouvindo…
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Mais perto do Céu
Hey, doc.Mas que diabos! O diabo! Eu espero ansiosamente pra conversar com Deus e é você que aparece... De novo.
Que isso, man. Todo mundo sabe que comunistas são ateus.
Então... Veio me tentar a observar a vizinha tomando banho? Já disse que não vou fazer isso de nov... Quer dizer...
Nada disso. Hoje vim lhe contar uma história. Por favor, sem interrupções. Cale-se e escute: Era uma vez em um país muito distante, vivia um jovem cantor de uma banda de black metal, seu nome era Steven.
Steven era talentoso, mas também era muito tímido, e como timidez não é uma característica que combina com o mundo do rock, não conseguia empolgar o público com sua performance inibida.
Em uma ensolarada tarde de sábado, quando Steven chegou a garagem, que eles chamavam de “estúdio”, descobriu que havia sido substituído. Colocaram outro pra cantar em sua banda. Aquilo acabou com ele. Cantar era sua vida, entoar cânticos supostamente satânicos era sua razão de viver.
Steven saiu correndo, chorando feito um cantor de rock frustrado. Foi em busca da única outra coisa que o fazia sentir vivo, ligado, moó legal. Mulheres? Álcool? Drogas? Nada disso. Literatura gótica. Horace Walpole e Edgar Allan Poe eram a paixão de Steven. Enquanto procurava O Castelo de Otranto em uma prateleira imunda e velha de uma biblioteca ainda mais imunda,
Steven viu o livro que mudaria pra sempre sua vida: 7 Passos simples para vender sua alma, por Giulione Marloy.
O livro prometia que em troca de sua alma, poderia se realizar todos seus desejos. Havia umas letrinhas miúdas na última página sobre algo como sofrimento eterno, mas Steven não reparou.
E foi assim que em uma primaveril meia noite em um aconchegante cemitério, Steven realizou o “feitiço”, que não era tão simples assim, (onde arranjar sangue de bode?) e vendeu sua alma para o Diabo, vulgo eu. Seu desejo era ser uma estrela do rock!!
Desse dia em diante, Steven começou a cantar em barzinhos, a timidez tinha ido embora, e rapidamente começou a fazer sucesso. Suas canções sobre o abate de filhas e guerra de porcos emocionavam as pessoas.
Ganhou prêmios, fez turnês internacionais, ou seja, seu sonho finalmente havia se concretizado. Em seu jatinho particular, a alguns mil pés de altura, pensava em como sua vida mudara desde o pacto. Steven percebera que sua voz não tinha mudado, mas que ganhara uma grande confiança em si mesmo, como se o pacto fosse o empurrão que ele precisava para buscar seus objetivos.
E no exato momento que seu avião sobrevoava o Vaticano, Steven entendeu tudo! Não foi o pacto que lhe dera forças para vencer a timidez! Foi sua própria vontade! Aquilo surgiu de dentro pra fora e não o contrário! Foi aí que ele deu a maior gargalhada de sua vida! Pacto? Demônio? Como tinha sido tolo! Então começou a cantar. Compôs uma lindíssima canção, você precisava ouvi-la!
Que bela história! E o que aconteceu depois? Ele continuou com sua vida de felicidade e sucesso?
Na verdade não. Enquanto Steven cantava, o piloto perdeu o controle e o avião caiu no mar, e todos morreram com o impacto...
Que tipo de história é essa? Cadê a moral? Você é sádico por acaso?
Ahn... Sim. Eu sou o diabo, lembra?
...
____________________
Fabiano Che
Assinar:
Postagens (Atom)

