sábado, 6 de junho de 2009

Atrofia Cerebral

Quando digo que todas as pessoas são inteligentes, mas algumas se esforçam mais que as outras, sou alvo de dedos trocistas (tenha como “inteligência” a capacidade de se expressar lógica e criticamente de forma razoável).
Parece que a porção do encéfalo que ocupa toda a parte superior e anterior na caixa craniana das pessoas sofreu de uma insuficiência nutritiva que se exteriorizou por desgaste ou diminuição das células nervosas (seus cérebros atrofiaram!). Não sei se isso é genético ou se Deus coloca asteriscos apenas nos nomes de alguns. Não sei!
Mas o fato consumado é que seus malditos corpos são bombardeados por alimentos que causam deterioração. Carnes, frituras, doces e todo esse lixo que é consumido em excesso sem nenhum escrúpulo estão na lista (sem fontes confiáveis). Cito ainda o álcool. Sou a prova viva do mal que isso pode causar à capacidade mental. Eu bebia (esporadicamente) e me sentia tão estúpido. Depois que parei com esse hábito (“culpa” da falta de verba) comecei a enxergar as coisas com maior clareza. Minha perspicácia tinha retornado. Hoje voltei a bebericar aquela bebida fermentada gaulesa, feita de cevada, do lúpulo e doutros cereais, pois agora me encontro numa surmenage.
Aí me convenço ainda mais desse definhamento cerebral. A maioria das pessoas trabalha em empregos árduos, estressantes e que lhes causam uma canseira desmedida. Elas se vêem obrigadas, assim como eu me vejo atualmente, a consumir essa bebida que derrete os neurônios.
E parece que derrete mesmo. Estava eu numa palestra anteontem para os pintores na loja de materiais de construção que trabalho e pus em prática minha habilidade já reconhecida por uma grande mente: minha percepção (que soberbo)! Numa apresentação de qualquer caráter, sempre me situo nos fundos do ambiente para que eu possa perceber de forma mais apurada. E lá me encontrei, dividindo meu cérebro para prestar atenção à rica palestra que não me envolvia de maneira nenhuma (ou seja, não sou pintor nem vendedor de materiais para esses profissionais e não importava se eu tivesse assistido à conversação ou não). Olhando para todos os lados, vi que os presentes, na qual deveriam se aperfeiçoar, simplesmente estavam com olhares vazios. Pareciam cansados de tudo aquilo que, com certeza, faria com que se tornassem melhores em seus ofícios. Via em seus olhos a churrascada e cervejada que esperavam por todos logo a seguir. Apenas alguns estavam atentos como eu, e esses eram aqueles à qual eu julgava serem de uma capacidade intelectual mais acentuada (que altivo!); os outros era aqueles à qual eu julgava ébrios.
E quem bebe tem estilo, diz a caixa! Dentro dela vê-se que, ao beber, lindas modelos apaixonar-se-ão por você, você terá carros conversíveis, muitos amigos e felicidade plena. Ela lhe mostra uma saída para o caos que se estabeleceu na realidade. Ela quer que você fuja e que não encare seus problemas. Essa maldita caixa.
Ah, a caixa! Essa sim faz seu cérebro se empobrecer. Você confia nela! Ela lhe dá respostas prontas e você as recebe sem ao menos duvidar e questionar. Se teve uma reportagem onde diz que o avião da Air France caiu na ilha de Lost, então você dirá a todos que assim aconteceu. Quem duvidar, questionar ou trazer outras hipóteses será chamado de burro. Você precisava (não, não precisava) ver o papo dos chapas que estavam descarregando uma carreta de piso na sexta-feira pela manhã, justamente sobre o tal avião, passando pelo padre dos balões, chegando até Lula e Obama. Só me fez anotar o resultado e ter condições de escrever o atual parágrafo.
Já falei sobre as novelas, não? Sim, então nem precisa mais dizer nada sobre o assunto, apenas que, além de não lhe dar nada, ela lhe tira.
Não gosto de fazer o estilo que impõe, mas vejo que é por uma causa nobre. Então, exercite essa geléia que você chama de cérebro. Vá ler um livro, um blog que aspira à sensatez, uma bula de remédio. Jogue aqueles estúpidos quebra-cabeças em flash que estão suspensos na Internet. Efetue problemas, mesmo que simples, das quatro operações fundamentais no papel, nos dedos ou de forma rupestre. I don’t know, but… Não diga que tem preguiça, pois acabará sendo esse um sinal de verossimilhança de minhas teorias. Leia esse texto até o fim, analise e dê sua opinião. Concorde comigo, mas não pra querer me agradar; discorde de mim, mas não por me achar arrogante. Não force uma cerebrastenia. Depois não me venha reclamar de sua vida enfadonha e sem objetivo.
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Giuliano Marley*

8 comentários:

Mateus Ksyvickis Luz disse...

Concordo que inteligência é comum á todos os humanos, mas acho que precisamos explorá-la. Sobre novelas, programas como BBB, acho que realmente não nos acresenta em nada, mas não podemos fechar os olhos e achar que não existem, devemos assistir, mas sabermos não nos influenciar é importante... Adorei o Blog! Parabéns e Sucesso!

Espero receber sua visita no meu tbm, fica o convite:

http://guardeparaosdiasdechuva.blogspot.com/
* ... música, política, celebridades ... *

Abraços...

Mateus Ksyvickis Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vanessa Gomes. disse...

Não tenho muito a dizer. O texto já disse tudo.

Conteúdo, meu caro. Conteúdo.

blogdoinho disse...

Inteligência todo mundo tem, cada um com a sua, tem algum que tem inteligência: musical, verbal, lógica, interpessoal, intrapessoal, naturalista e por ai vai. Já dizia o Gardner

mateusbonez disse...

Não me considero expert, mas sinto ojeriza de pessoas burras :D

http://tiomah.blogspot.com/

alana. disse...

Fabiano, a metáfora fala sobre aquelas situações da vida em que de repente você vai do céu ao inferno, sabe? Mais ou menos isso: do topo do prédio de 50 andares ao chão. Talvez o problema tenha sido esse, não entender que não há nada "além do paraíso".

;)

Ju disse...

Olá!
Obrigada pela visita no blog! Aceito a parceria, com certeza... Seu banner já está lá!

Parabéns pelo blog!
Voltarei mais vezes, com certeza ;)

william disse...

Ler o Atestado Pedante é o remédio para quem sofre de cerebrastenia.

Quem lê, pensa!