quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Paradoxo do coelhinho

Referência: Capinaremos
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Giuliano Marley

domingo, 22 de novembro de 2009

Abaixo a leitura

Visando sempre o bem comum e a tranquilidade das mentes inquietas, o Atestado Pedante orgulhosamente lança a campanha Abaixo a Leitura. Através de um estudo realizado por diversos pesquisadores, constatou-se que a informação lida, em detrimento das outras mídias, provoca no homem reações adversas e deveras perigosas.
O saber (termo atribuído pelos pesquisadores ao contato das pessoas a informação) faz com o que o homem desperte de um sono profundo. Coloca-o em uma situação de total consciência de mundo, fazendo-o crer que as coisas podem ser diferentes. Isso o leva a um tremendo estado de agonia e frustração, pois, segundo fontes [nada] confiáveis, as coisas não podem ser diferentes.
Outro sintoma que a leitura provoca em suas vítimas é o isolamento de seus entes queridos. Os enfermos do saber não conseguem mais se comunicar com os seus. Dizem coisas que os outros não conseguem compreender. Taxados como loucos, são afastados do convívio social, a solidão é a irmã bastarda do conhecimento.

Junte-se a nós nessa campanha, caro leitor (?!), pare de ler agora mesmo! Talvez ainda haja salvação para sua alma!! Arrependa-se enquanto há tempo! (sempre quis dizer isso:P) Jogue fora todos os seus livros e revistas (menos as de fofoca) e assista televisão. Ainda é apenas teoria, mas acredita-se que a televisão seja o antídoto para o esclarecimento.

Policie-se, sempre quando sua mente começar a devanear, fazer indagações ou coisa parecida, pare imediatamente e procure uma TV o mais rápido possível! Divulguem em seus blogs, avise seus pais e amigos. E lembre-se, se encontrar alguém com algum desses sintomas, se afaste de imediato, o conhecimento é razoavelmente contagioso!

Por enquanto é só, quando conseguir mais informações, postarei aqui para que todos possam ler! (paradoxal, não?) E lembrem-se: Abaixo a leitura!!

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Fabiano Che

sábado, 21 de novembro de 2009

Vende-se uma mansão

A mansão possui:
- 7 quartos
- 8 banheiros (sendo 3 deles suítes)
- 2 cozinhas
- 4 salas
- 2 lavanderias
- garagem para quatro carros
- 2 piscinas
- sauna
- alarme
- poço artesiano
- pára-raios
- sala de jogos
A mansão foi construída com materiais de primeira qualidade, desde a fundação até o telhado. São 743 m² de área construída no centro da cidade.
Obs.: felicidade não incluída.
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Giuliano Marley

terça-feira, 17 de novembro de 2009

As Sombras da Vida


Referência:
Após a Sopa.

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A direção

domingo, 15 de novembro de 2009

Irreflexões (Eternamente Alma de Bronze)

Em uma enorme fazenda, algumas pessoas se reuniram para "reclamar da vida":
— Nossa, gente, não aguento mais trabalhar!Estou morto de cansaço!
— Eu também. Só que com esse salário de fome que recebemos, ainda temos muito mais o que fazer!— Um terceiro homem se aproxima e diz:
— Eu mesmo, pra pagar as contas do mercado tenho que trabalhar um mês e meio...
— Que diabo de vida!
Mais e mais gente se aproxima, até que um dos homens sobe em um pequeno banco e exclama:
— Pessoal, alguma coisa está errada! Trabalhamos feito burros de carga e nada temos! Não podemos ficar aqui parados reclamando! Até podemos, mas não devemos!
— Tem razão!! Vamos fazer...Vamos fazer...Fazer o quê?
— Agente tem que se unir. Se alguém não fizer alguma coisa, morreremos mais miseráveis do que somos agora! Aliás, nossos filhos e netos terão um destino igual ou pior que o nosso!—
Um dos ouvintes na multidão cochicha para o outro:
(— Esse cara fica bancando o tal, mas olha só que roupa imunda ele usa—). Sem se dar conta desse comentário pertinente, o homem continua seu discurso:
— Senhores, separados e alienados do mundo, somos presa fácil para esses exploradores! Isso mesmo, exploradores! Pois quem se aproveita da condição do outro para enriquecer é um explorador! Além disso...— Mais e mais pessoas se juntam aos "cochichadores":
(— E olha aquela barba! Eu não teria nem coragem de sair de casa com uma barba dessas, isto é se eu tivesse uma casa, muito menos discursar pra todo mundo ouvir!)
— Ficar aqui parado, reclamando do nosso "destino" é exatamente o que eles querem! O mundo pode e deve ser mudado! Só por que as coisas são assim não siginifica que tem que ser assim! —
( — Que cara chato! Ele fala cuspindo... hahaha) — Libertemo-nos dessas correntes que nos impedem de...— (— Uuuuuuu! Cala a boca, barbudo!) — Pois na realidade...—(—Sai daí!) eles nos dizem que...— (—Idiotaaa! Ridículoo!! Uuuuuuu! Fora!) — não somos os estúpidos que eles pensam e...(—Fora! Cala a boca!) por que, por que...—
Aos gritos da multidão, o homem se cala, desce do banco e recomeça a trabalhar com sua enxada.

Ainda há esperança?
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Fabiano Che

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Quinta-feira 12

Quando ouvimos falar em Quinta-feira 12 já ficamos logo assustados e nos lembramos de todas as velhas superstições que a englobam: gatos pretos, espelhos quebrados, não passar por debaixo das escadas e muitos outros que nos permitem acreditar que tragam azar, mas isso são apenas, como citei acima, superstições, que nossa cultura adotou com o passar dos séculos.
Para os místicos, este dia está associado à evolução de todo ser e também é um dos dias mais poderosos, pois o número 12 somado é igual a 3 (1+2=3) e o número 3 significa o tudo existente, os três patetas, Moe, Curly e Larry.
Mas a superstição da Quinta-feira 12 surgiu com os romanos. Não tinha nada de azarento. Com o passar do tempo, alguns acontecimentos dados nesta época marcaram este dia, transformando a Quinta-feira 12 em um dia temido por muitas pessoas.
Uma lenda européia diz que na Quinta-feira 12 "as bruxas estão à solta".
A palavra superstição significa "vidente ou profeta". As superstições aparecem como explicação para muitos fatos que desconhecemos.
Acreditem se quiser, mas as superstições e o azar estão ligados apenas a acomodação e a falta de fé, uma maneira de encontrarmos culpados para nossos insucessos ou fracassos, muitas das vezes resultantes de nossa própria falta de cuidado e esforço.
Quando nós não conseguimos o que queremos, botamos a culpa logo no azar, mas quando tudo nos dá certo, aí sim somos "SORTUDOS".
Infelizmente, nós seres humanos, de tudo que nos acontece, sempre damos valor aos nossos fracassos e não vemos tudo de bom que podemos fazer.
A superstição é derivada apenas de nosso desconhecimento, mas quando nos tornamos mais conscientes de nossos atos, nossa forma de pensamento se fortalece.
Superstições são culpados que encontramos para nossos erros e desconhecimentos:
— Quando um gato preto atravessa nosso caminho, logo pensamos que teremos um dia inteiro de azar, mas podem ter certeza de que ele estará pensando que terá "azar" se você o chutar;
— Quando quebramos um espelho acidentalmente, morremos de pavor achando que teremos 7 anos de azar, mas se você não tiver cuidado com suas coisas, poderá ter um prejuízo 7 vezes maior que aquele;
— Ao passarmos por debaixo de uma escada, também pensamos que nosso dia será desastroso, cheio de azar, mas podem ficar certos de que teremos um grande "azar" se tropeçarmos na escada e em cima dela estiver um pintor com várias latas de tinta.
Bom, é isso, fiquem com Deus e tenham uma ótima Quinta-feira 12.
Com ou sem ajuste, é uma idiotice.
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Giuliano Marley

sábado, 7 de novembro de 2009

O que aconteceria se os gays pudessem se casar?




O que influencia minha vida se gays podem ou não se casar?
Referência: Capinaremos
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Giuliano Marley

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Hábito

Vida. Vida. Vida. Vida. Vida. Vida.
Vida. Vida. Vida. Vida. Vida. Morte!!
Vida. Vida. Vida. Vida. Morte!! Morte!!
Vida. Vida. Vida. Morte!! Morte!! Morte!
Vida. Vida. Morte! Morte! Morte! Morte!
Vida. Morte! Morte! Morte. Morte…
Morte. Morte. Morte. Morte. Morte. Morte.
Morte. Morte. Morte. Morte. Morte… Vida!!!
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Fabiano Che

sábado, 24 de outubro de 2009

Contatos imediatos do 3º grau

Uma criança de uns 5 anos pergunta pra sua mãe:
— Mamãe, posso trazer um amiguinho para brincar comigo aqui em casa?— A mãe responde, um pouco desinteressada:
— Claro, meu bem. É um amiguinho da escola?
— Não.
— É do condomínio? Não? De onde ele é então?
— Quando eu estava brincando no playground, a bola caiu na rua, aí um menino pegou e jogou pelo muro pra mim. Eu chamei o menino pra jogar comigo aí ele disse que não iam deixar ele entrar.
— Quem é esse menino, como ele é? E quantos anos ele tem?
— Acho que da minha idade. Ele tava com umas roupas sujas e velhas. A empregada dele deve tá doente, né mamãe? Igual aqui daquela vez.
— Deve ser um desses vagabundos que ficam na rua. Não quero você se metendo com essa gente! Entendeu?
— Por que, mamãe? Ele é mau? Quando ele pegou a bola, os outros meninos falaram pra ele sair correndo. Só que ele disse que a mãe dele falou pra ele que pegar uma coisa que não é sua é errado.
— Ele disse isso? Mesmo assim. Você tem que entender que nós somos pessoas de outro nível. Não podemos nos meter com esse tipo de gente?
— Tipo de gente? Ele não é gente igual nós?
— Claro que não. Sim...Quer dizer... Você é muito novo pra entender essas coisas!
— Devo ser mesmo. Gente que parece igual mas não é igual.
( Ou gente que não parece igual mas é igual)
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Fabiano Che

domingo, 18 de outubro de 2009

A felicidade está no caminho

— Oi, Deus, você está aí?
— Claro, sempre.
— Então me diga, o que é a felicidade, afinal?
— Seja mais específico.
— Sabe, estou quase sempre insatisfeito. Mesmo conseguindo as coisas que desejo ainda não consigo me declarar feliz… Verdadeiramente feliz.
— Siga-me.
— Aonde vamos?
— Vou te mostrar a felicidade.
Após três quartos de hora caminhando, ambos chegam ao cume de uma montanha.
— Falta muito?
— Chegamos!
— Sério? Mas cadê a felicidade que disseste que me mostraria?
— Está sob seus pés.
— O quê? Essa flor amarela?! Ela me dá algum tipo de poder ou algo assim?!
— Não, do lado da flor.
— Ahhh… O que há do lado da flor?!
— Essa pedra.
— Essa pedra?! Ela é que vai me fazer ter lasers pelos olhos?
— Por favor, chega de falar bobagem! Essa pedra é a felicidade que te prometi mostrar.
— O quê? Mas o que tem de especial nessa maldita pedra?
— Nada! É apenas uma pedra como qualquer outra.
— Caralho! Nós andamos por mais de 45 minutos, subindo essa porcaria de montanha, furei meu pé num espinho, com uma forte dor no nervo ciático, num sol quente da porra pra olhar uma pedra como outra qualquer?
— Sim.
— Sim? Mas que frieza…
— O que você esperava?
— A verdadeira felicidade.
— Ah, tá, mas o que você viu pelo caminho?
— Bem, vi pássaros gorjeando canções serenas, lindas e perfumadas flores, a água da cachoeira sendo derramada, formando uma chuva fina, o nascer do sol reverberando nossos corpos — ou pelo menos o meu —, e muita coisa maravilhosa, sabe!? Caminhei com tanta ansiedade para ver o que era a felicidade.
— E o que você sentiu enquanto subia e via tudo isso?
— Sentia-me…
— …enquanto ansioso para ver a felicidade…
— Sentia-me muito bem.
— Muito bem quanto e como.
— Verdadeiramente bem… e feliz.
— …
— Porra, então é isso!? Agora eu entendi. A felicidade verdadeira está no meio e não no fim, não é isso? A felicidade verdadeira está no caminho, no trajeto rumo ao meu objetivo. O objetivo final não passa de uma simples pedra no cume de uma montanha, pois a verdadeira felicidade está em chegar lá, passar por todas as situações, todas as sensações — boas ou ruins.
— Sabia que você entenderia.
— Claro que sabia, mas… Como aplicar isso em termos práticos?
— Sonhe! Sonhe sempre. Nunca deixe de sonhar nem deixe de aspirar a alguma coisa. Sempre queira alcançar seus objetivos e, quando alcançá-los, busque outros, pois enquanto estiver caminhando, sentirá sempre a verdadeira felicidade.
— Porra, então… Agora vejo como eu era feliz enquanto passava pelas etapas que me levou aonde estou. Agora que cheguei onde há tempos queria chegar, tudo parece tão banal... apesar de eu me sentir apenas feliz. Preciso de novos objetivos, certo? Não posso ficar estagnado. Quero sentir a verdadeira felicidade de novo. Deixe-me ver, qual o meu objetivo agora? Tentar fazer com que as pessoas absorvam um pouco do que pude constatar com minha experiência sensível!?
— Não, você nunca encontraria a pedra, e ficar andando sem nunca chegar ao cume te faria infeliz.
— Já sei! Vou continuar a escrever meu livro e publicá-lo. A emoção de ver o desenrolar da história com Glauber — ou Ivo — e Andréia me faria verdadeiramente feliz. Pode até ser que eu me sinta decepcionado quando vender milhões de exemplares, mas e daí?! Vou clicar em publicar esse texto e caminhar um pouco.

“Poltronas desconfortáveis e estradas esburacadas tentaram chamar sua atenção para os riscos que estaria prestes a correr. Quase que lhe avisavam debalde sobre o quão perigoso era esse lugar. Só que, às vezes, esquece-se dos riscos quando se tem um objetivo traçado; às vezes, esquece-se dos riscos quando se está envolto num forte sentimento. Ivo se encontra nesse duplo esquecimento.”

— Nunca pare de ter objetivos na vida.
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Giuliano Marley

domingo, 11 de outubro de 2009

Certificado Parlapatão Nº 50

Há exatos 40 domingos o Atestado Pedante fora criado por dois supostos fanfarrões, Fabiano Che e Giuliano Marley ( até hoje me pergunto o porquê desse sobrenome, seria por causa do cachorro?), com o objetivo de divulgar suas indagações e questionamentos ( a redundância é uma arte).
Tentando fugir do lugar comum blog-pedante-filosófico, vários temas foram abordados, de um papo com Deus à alma de ouro de tolo, da raposa no galinheiro livre à necrofilia da arte. Tudo isso com o intuito de mudar o mundo ou pelo menos inspirar uma criança.
Enfim, depois de 10 meses, chegamos ao post de nº 50. Será que alcançaremos o nosso objetivo de sacudir as pessoas para que acordem e saiam da prisão das certezas e verdades intuídas, ou pelo menos chegarmos ao centésimo post? Ou desistiremos de nossos ideais para nos adaptar ao mundo cruel? Não percam os próximos episódios...
P.S.: Acho que não escapamos do lugar comum...
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Fabiano Che (ditado pelo espírito A Direção)

domingo, 27 de setembro de 2009

Desabafos de uma mente exausta…

Cansei! Estou exausto. Meus dedos, joelhos, cotovelos e tornozelos doem. Meu nervo ciático do lado esquerdo vive latejando e recebi uma pancada no lado direito das costas ontem… Mas esse é o tipo de cansaço que eu postaria num blog pessoal.

CANSEI DESSE MUNDO IMBECIL!
[…]
Cansei de jogar o lixo na lixeira e separar toda a porcaria para a reciclagem;
Cansei de ser gentil e tentar não magoar os outros mostrando que eles são estúpidos;
Cansei de não comer cadáveres de animais fritos, assados, cozidos, defumados, etc;
Cansei de ceder o banco do ônibus pra idosos, grávidas, deficientes e pessoas com crianças de colo;
Cansei sorrir após ser ofendido e dizer/pensar "eu não me ofendo com nada";
Cansei de dar $10 de esmola e não receber um maldito obrigado;
Cansei de não ser machista quando na verdade as mulheres querem mais é levar tapa na cara e passar o dia cozinhando e limpando a casa;
Cansei de odiar os racistas, pois está tudo perdido! Todos são racistas, inclusive as vítimas de injúria racial;
Cansei de odiar a homofobia. No mesmo instante estão todos se ofendendo com viados, bichas, sapatões;
Cansei de ser o motorista da rodada;
Cansei de cuidar de minha saúde;
Cansei de não matar as baratas, aranhas e ratos que invandem meus pacotes de bolacha;
Cansei de dizer por favor, com licença, obrigado e desculpe;
Cansei de ouvir as pessoas reclamando da vida e dizendo que não vai dar certo ou que não vou conseguir;
Cansei de vê-los tentar viver minha vida;
Cansei de vê-los me subestimando, me julgando por minha aparência rude;
Cansei de ter que fingir concordar com eles só pra calarem a maldita boca;
Cansei de ser tolerante;
Cansei de ser paciente;
Cansei de me comportar como querem que me comporte só pra vê-los quietos;
Cansei de não ter voz nas decisões;
Cansei de ser desrespeitado;
Cansei de tentar fazer do mundo um lugar melhor.
[…]
Cansei desse mundo imbecil… mas ainda não desisti dele… ainda não.
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Giuliano Marley

Idade Média - reloaded




Será que eles vendem pedaços da cruz de Jesus?
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Fabiano Che

sábado, 19 de setembro de 2009

O homem e sua pá

Há muito tempo, sua pá era sua única companhia. Seu trabalho era árduo, mas muito simples. Só tinha que colocar a areia, que caía da esteira, novamente na esteira. Não tinha que resolver problemas nem se preocupar com mais nada. Era só a pá, ele e Deus (ou pelo menos, ele e a pá).
E assim seguiam os dias. O ontem era igual ao hoje e o amanhã não seria diferente. Afinal, quem precisa de novidades? Nada de aborrecimentos, choros ou risos. Raramente alguém passava por seu local de trabalho. E mais raramente ainda, queriam saber o que ele achava das coisas.
Num desses dias incomuns, um sujeito estranho lhe perguntou o que sabia sobre a economia do país. Ao ver a indagação nos seus olhos, o cara estranho perguntou sobre a política de seu estado. Novamente a resposta foi uma tremenda expressão de dúvida. Depois sobre as novidades da cidade, religião, e por último sobre a empresa que trabalhava. Como a resposta era sempre a mesma, o estranho cansou e foi-se embora.
Que sujeito idiota, pensou o homem. Como ele poderia imaginar que eu saberia todas aquelas coisas? Se a única coisa que faço é trabalhar com essa maldita pá, dia e noite!?
E, ao dizer isso, tomado por súbito esclarecimento, o homem jogou a pá para longe de si e foi conhecer o mundo.
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Fabiano Che

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Matizes

Todo mundo era cinza. Ela era dourada, parecia iluminar tudo que tocava. Ele era cinza. Um dia ele a encontrou e ficou encantado com sua cor e brilho. Ela parecia triste, e quando foi questionada de como alguém tão colorida poderia não ser a pessoa mais feliz do mundo, lhe respondeu: De que adianta poder falar, se ninguém consegue te ouvir? Pra que iluminar, se as pessoas cobrem seus olhos para protegê-los da luz?
Não compreendeu o que ela lhe dizia, mas ficava maravilhado só de estar do lado de alguém tão iluminante. Ainda não entendia o porquê de sua consternação. Ela queria ir embora, abandonar tudo, dizia estar cansada da violência que ninguém mais via, via milhões de fotografias e achava todas iguais.
Aos poucos, ele foi ficando dourado também. Só que ela já tinha ido embora. Quando se deu conta de sua nova cor, ficou tão feliz que nem se lembrou dela. Agora podia enxergar o que antes não podia nem imaginar. Ficou encantado e horrorizado com o que viu. Quando foi tentar contar pra alguém tudo que tinha visto, entendeu o motivo da tristeza que a acompanhava: Ninguém conseguia perceber o que ele via.
Em desespero, começou a procurar pela única pessoa que o compreendia. Só que ela não estava mais ali. Então, com lágrimas nos olhos, tomou uma difícil decisão: Voltaria a ser cinza. Tentou, tentou e tentou, mas infelizmente (ou será que felizmente?) não conseguiu.
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Fabiano Che

domingo, 23 de agosto de 2009

Is not brazilian moustache revolution


Não que eu seja a favor de atos secretos ou usar seu cargo para contratar parentes, mas o problema é que ele não é o único. E as pessoas se revoltam e dão um brado retumbante: Fora Sarney!!
À primeira vista é ótimo, não? O brasileiro, finalmente, acordou e disse: chega de corrupção, injustiça e outras coisas. Só tem um pequeno detalhe, o brasileiro não acordou e muito menos disse chega de corrupção, injustiça e outras coisas. Mas então, por que raios essa revolta contra Sarney? Obvious. Porque disseram pro brasileiro se revoltar. Só por isso.
Um dia perguntei a alguma pessoa sobre porque queria a saída de Sarney, então ouvi como resposta: Todo mundo tá falando pra ele sair, então também quero que ele saia. Fiquei levemente estarrecido com alguma pessoa, mas logo me recompus e disse, Milena vamos sair qualquer dia desses? Mas essa é outra história… Enfim, as indagações e rebeliões brasileiras são fabricadas não se sabe por quem, e depois de prontas, são injetadas em nossos cérebros enferrujados.
Isso se estende para muitos outros meios, tais como o futebol, por exemplo. Torcedores apaixonados matam e morrem por “amor à camisa”, enquanto dirigentes vendem seus melhores jogadores, o que elimina a possibilidade de grandes títulos. Pergunta: O que os times fizeram para merecer tanta devoção dos torcedores? Acho que sabe a resposta. Não? Calma, calma, eu digo. Absolutamente nada. Apenas verdades injetadas.
Não gosto de acabar textos com lições de moral, mas acho que pra esse post é um mal necessário: Seja a favor ou contra, mas, pelo amor de Deus (ou Deusa, Leimar, Odin, etc.), seja por que você acha e não por que te disseram. Pesquise, se informe, não se renda as evidências. E, além disso, sempre escove os dentes antes de dormir. :P
P.S.: Fora Sarney
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Fabiano Che

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Filial do "Atestado Pedante"

Visando novas perspectivas, tentando enxergar o outro lado de um dado, a direção do Atestado Pedante, após muito debate, concluiu que outro quartel-general deveria ser fundado. Estava ficando sofista ter duas mentes vivendo na mesma realidade. Simplesmente um desperdício.
A solução encontrada foi enviar um dos cabeças a um novo mundo. A um mundo onde as coisas fossem completamente diferentes, que nos permitisse tirar conclusões mais sensatas.
Após vencer no "Pedra-Papel-Tesoura-Lagarto-Spock", Giuliano Marley (no caso, eu) se deslocou de Brumado (BA), local da matriz, até Cascavel (PR), local da nossa filial. Lá (aqui) ele (eu) poderá mostrar uma outra realidade que existe, fazendo com que o Atestado Pedante se torne cada vez mais imparcial e conhecido.
Os recursos do Atestado Pedante são oriundos da Sociedade dos Filósofos do Brasil (SFB), e como, segundo os estereótipos, todo filósofo é desempregado, então a verba obtida é escassa.
Estou num hotel de baixo-padrão (quase um albergue), ainda sem a principal ferramenta de trabalho, apenas Internet de Lan House. Sendo assim, darei as caras poucas vezes por aqui. Não chorem, meninas, em setembro eu voltarei com força total… ou não!
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Giuliano Marley

sábado, 1 de agosto de 2009

Siso de um Alma de Prata

Havia muito tempo que era piloto de avião. Mas somente quando seu país foi invadido por uma nação estrangeira, é que decidiu se alistar no exército. Afinal, jamais poderia permitir que estranhos matassem, saqueassem e destruíssem o lugar onde nasceu. Era difícil no início, mas logo se acostumou com o estilo de vida militar.
A guerra já estava praticamente ganha agora. Enquanto sobrevoava os restos mortais de uma cidade em chamas, lembrou-se de um bombardeio que fizeram em sua pátria. Escolas, hospitais, orfanatos, vieram abaixo. Milhares de mortos. A maioria era contra a guerra, boa parte nem sabia o porquê e muito menos contra quem estavam lutando. Por isso, quando o questionavam se não sentia remorso pelos inocentes que matava, a resposta era sempre a mesma: Não!
Afinal de contas, eles começaram a maldita guerra, agora que agüentem as conseqüências. E se tirava a vida de uma criança, ou mesmo de um idoso, estava no seu direito, pois só estava impedindo que fizessem o mesmo com os de seu país. Não gostava daquilo, mas era seu dever cívico. Claro que a maioria daquelas pessoas que matava era tão inocente quanto os seus conterrâneos e, além disso, algum soldado rival poderia usar o assassinato dos seus compatriotas como motivação para lutar, mas, mas… Assim é a guerra, a razão está do lado do mais forte.
Imerso em seus pensamentos, não pôde perceber que um aeroplano inimigo o acossava. Aconteceu rápido demais. Seu avião foi atingido e rapidamente começou a perder altura. Alguns instantes antes de sua aeronave colidir mortalmente com o chão, se lembrou, não se sabe por que, de uma palavra que tinha sido pintada muitos anos antes na asa esquerda de seu avião: TOLERÂNCIA.
P.S.: Tô meio sem inspiração e só saiu isso aí…
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Fabiano Che

sábado, 18 de julho de 2009

Alma de Ouro-de-tolo

Nós vivemos pela lei: Preocupe-se somente consigo, só se preocupe com seu bem-estar e se esforce bastante que um dia você chega lá.
É assim que tem que ser mesmo, pois desse modo separa-se o competente do incapaz, ou melhor, o joio do trigo. Se você conseguiu entrar em uma das melhores faculdades e outro cara não, é porque você se esforçou e logicamente é mais inteligente/capaz/competente que ele. O fato de você ter estudado em uma superescola particular caríssima e o outro cara ter sido instruído por professores despreparados e desmotivados na mais pública das escolas é apenas um detalhe sem importância.
Talvez nesse ponto do texto você esteja pensando: — Que cara estúpido! Isso é desculpa de perdedor! Eu estudei minha vida toda em escola pública e consegui entrar em uma excelente faculdade‼ Além disso, sua barba é horrível!
Eu digo em alto e bom som: Você é exceção. Você pode até dizer que conhece gente sem grana que conseguiu “vencer na vida”, mas eu conheço muito mais pessoas que mal têm o que comer. Saia na rua e veja se estou mentindo.
Voltando ao foco original de nossa discussão (nossa?), tudo estaria bem para você, terminou a facul, tem um belo emprego, muito dinheiro, um lindo carro, enfim chegou lá. Só tem um “pequeno” problema, não é nem o fato de ter se tornado completamente indiferente às mazelas de indivíduos da sua mesma espécie. A questão aqui é, o outro cara (lembra dele?) não passou em faculdade nenhuma, logo não tem emprego nem dinheiro, mas ele precisa comer, concorda? Então o cara pega uma arma, te pára no sinal, você reage — obviamente não ia deixar te tomarem o que conseguiu com tanto esforço —, toma um tiro e morre.
Vê onde quero chegar? Se o cara pudesse ter estudado em uma escola melhor, você ainda estaria vivo! Hoje os vencedores do jogo recebem todas as glórias, em contrapartida os “perdedores” são sumariamente excluídos. Só que é uma batalha injusta, enquanto uns conhecem as regras e têm as melhores cartas, a maioria nem sabe o que é um baralho.
P.S.: Minha barba não é horrível…
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Fabiano Che

domingo, 12 de julho de 2009

A Necrofilia da Arte

No quarto dia, do primeiro mês, do duo-milésimo nono ano do atual — e falível — calendário, o Atestado Pedante fora criado. E junto com sua criação estava o forte desejo de Giuliano Marley em escrever sobre a necrofilia da arte.

Na ocasião, esse escutara uma canção de mesmo nome da banda Pato Fu. Só que ele não satisfez esse seu desejo de aspirante a escritor. Carecia de fontes. As arrogantes e impacientes pessoas de mais idade não colaboraram com ele, deixando em suas mãos um texto simplesmente sem crédito, sem fontes confiáveis, como na Wikipédia. Preferiu não falar sobre as duras críticas que Raul Seixas e Renato Russo — por exemplo — recebiam antes de suas mortes e que, no entanto, se tornaram ídolos desses mesmos críticos, só porque os coitadinhos morreram.

Ele viu que essa música — que cita ainda John Lennon, Bob Marley e Elvis Presley — se tratava de algo realmente verdadeiro. As pessoas não estão nem aí para os artistas que expõem seus sublimes sentimentos. A menos, é claro, que esses estejam mortos.
Isso é mau, isso é mau!

Mas agora pude ver que as pessoas são mesmo loucas! Antes de seu falecimento, Michael Jackson era torturado, massacrado, humilhado por seu comportamento excêntrico e por sua aparência. Menciono ainda sua posição de réu num dos quase infalíveis tribunais do mundo, sob a acusação de pedofilia. Ele foi bombardeado… Seus ossos foram roídos pelos abutres julgadores, mesmo tendo sido inocentado. Não digo nem que “sim” nem que “não” quanto à sua culpa. Digo apenas que esses sujeitos que exploraram da sua caminhada sob brasas agora estão venerando-o. Agora ele é o rei do pop, o inesquecível, que tem seu nome bradado por hipócritas negadores da bondade humana.

Michael Jackson está em tudo agora. Absolutamente tudo! Creio que tenha sido assim com o demente chamado Raul, com o viado chamado Renato, com o maconheiro chamado Marley… E continuará assim para todo o sempre, toda essa hipocrisia, tanto na arte — musical, de acordo com a limitação do atual texto —, tanto na arte de uma maneira abrangente — onde quadros valem milhões apenas quando o pintor já padeceu —, tanto em quaisquer outras situações de nossas insignificantes e falíveis vidas.
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Giuliano Marley

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Livremente determinado

Alberto não acreditava muito em videntes, mas aquela cartomante chamou sua atenção. Resolveu entrar em sua tenda, rindo de si mesmo por isso, e se consultar com a estranha senhora. A mulher trajava um vestido azul envolto em mantos, o que lhe dava um ar misterioso e levemente cômico. A velha o convidou a se sentar em um banco torto e começou a brincar com seu baralho. Você realmente deseja saber o que lhe é destinado, meu jovem? Perguntou a cartomante, acho que sim, respondeu Alberto um pouco sem jeito. Então a velha dividiu seu baralho em dois, tirou cartas de um e de outro, as espalhou pela mesa e em um transe fajuto murmurou:
— Terás uma bela mulher e dois filhos saudáveis, mas sua vida lhe será ceifada pelo mar.
— Que loucura! Não pretendo me casar e muito menos ter filhos, e nado feito um peixe! — e, dizendo isso, Alberto se levantou e saiu sem pagar a cartomante.
Muitos anos se passaram e Alberto se esquecera das previsões da velha. Não muito surpreendentemente, ele se casou e embora decidisse ter apenas um filho, seu segundo rebento acabara de nascer. Nessa mesma época, foi convidado a fazer parte de uma expedição de navio para o Alasca, a fim de pesquisar os efeitos do aquecimento global nas geleiras. Só quando já estava em alto mar, Alberto se lembrou da cartomante e, com um leve desespero, pensou, será que aquela bruxa estava certa? Tenho uma esposa linda, dois filhos e… Não, é só coincidência, tem que ser coincidência. Nesse exato momento, uma explosão acorda a todos, um dos motores do navio estourou não se sabe como, e abriu um enorme buraco na fuselagem do barco. Ele iria afundar.
Alberto se desesperou e, lembrando-se da previsão da cartomante, disse para si mesmo, não vou morrer, eu tenho que escapar. E, depois de procurar bastante, encontrou um bote e, sem que ninguém notasse, o colocou em alto mar e saiu remando para longe dali. O que ele não percebeu é que uma lancha de resgate tinha acabado de chegar do outro lado do navio.
Depois de remar por várias horas sem rumo, Alberto estava exausto. Deitou-se no bote e pôs-se a meditar, acho que tudo isso foi em vão, fugir do seu destino é impossível. E, ao dizer isso, deixou seu corpo cair no mar e, sem mais lutar, aceitou seu “destino”. No entanto, se ele estivesse esperado mais cinco minutos, veria um navio cargueiro vindo em sua direção.
Não podemos mudar nosso destino ou estamos destinados a criá-lo?
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Fabiano Che

domingo, 5 de julho de 2009

A Fazenda

É suficientemente clichê falar do Big Brother.
A direção repudia clichês.
Logo resolvi usufruir de um estratagema para que essa regra suspensa no ar fosse burlada.
Falemos sobre o programa A Fazenda, então.
Pra você que não assistiu ainda, saiba — sortudo — que é a mesma merda. Não estou falando dos regulamentos nem do sistema televisivo empregado, mas de seus teventes. Eu também não assisti ativamente — amém! —, mas pude ver — como um fumante passivo — as mesmas coisas se repetindo. O mesmo câncer se espalhando pelas células já enfraquecidas.
Ficam todos embevecidos em frente à caixa, observando aquele mundo cheio de conflitos, onde há os “bons” e os “maus”, insultando os participantes como se esses pudessem ouvi-los. Fazem aquela mesma cara, boquiabertos, com babugem escorrendo por seus lábios. Quem olha de relance pode jurar que os vê dançar Thriller junto ao recém-falecido rei do pop.
Gastam todo o crédito do celular pré-pago tentando ferrar com a vida daquele maldito ignóbil, ou daquela estúpida galinha, ou daquela bicha, ou do diabo! Têm a chance de prejudicar todos aqueles representantes de uma determinada característica da qual repelem — queimem o preto, o velho, o crente, o comunista.
As cavalares doses de sedativo que lhes são dadas a cada programa impedem o despertar. Não adianta gritar, não adianta sacudi-los, nem fazer cócegas. Enquanto não pararem de injetar em suas próprias mentes o material que está nas seringas fornecidas diariamente, continuarão imersos num sono profundo, proporcionando-lhes, em longo prazo, uma ressaca tão divertida quanto o inferno.
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Giuliano Marley

sábado, 4 de julho de 2009

Top 100

Pessoal, o Atestado Pedante está no Top 100 Top BLOG. Obrigado a todos pelos votos e continuem votando.
P.S.: O Atestado Pedante foi idealizado única e exclusivamente para divulgar nossas idéias (ou falta de idéias), mas prêmios são legais \0/
P.S. 2: Continuem votando e obrigado mais uma vez.
P.S. 3: Ainda não votou? O que você está esperando, marujo?: http://www.topblog.com.br/busca_blogs.php?tags=1162778?41734de3d59307d9e7983a5bfc88c1f0.
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A Direção

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Violentamente Pacífico

Violentamente Pacífico é um vídeo de Gabriel Teixeira realizado no Bairro da Paz (Periferia de Salvador-BA) entrevistando Ras Mc Léo Carlos, cidadão…
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A direção

sábado, 20 de junho de 2009

Ah, esses escapismos

Nossa, finalmente chegou o domingo. Depois de trabalhar duro a semana inteira, nada como sentar em frente à TV para relaxar e esquecer todos meus problemas… Mas que diabos!! Todos os canais estão fora do ar! Labuto que nem um condenado e não posso comprar sequer uma antena de verdade. Perdoe-me, Meu Deus, por estar reclamando, tem gente por aí que nem tem o que comer, se bem que aqui em casa às vezes falta o que comer também.

Um burro velho como eu não merece um salário maior, por que desde menino tive que ralar e não pude ir à escola. Inteligente é meu patrão, homem estudado e esperto, sabe mandar e o que deve ser feito, enquanto eu, pobre de mim, só sei obedecer. Mas se essa é a vontade de Nosso Senhor, fazer o quê?

Todos dizem que eu devo me esforçar mais, parece piada, só que eles não sabem como é se submeter a um trabalho rotineiro, irreflexivo, repetitivo em que me encontro reduzido a gestos estereotipados. Pois não compreendo o sentido do que faço e o produto do meu trabalho não é meu. Acho até que vale mais do que eu, com certeza vale muito mais do que minha pessoa. E eu pensava que mais-valia nessa vida.

Eu tento empregar toda minha energia para que meus filhos estudem bastante e tenham uma vida melhor que a que tive. Mas isso faz a gente pensar, sabe? Os filhos do meu patrão estudam em escolas muito melhores e mais caras que a dos meus rebentos, então eles estarão muito mais preparados para "vencerem na vida" e se tornarem "patrões". E os meus meninos, mesmo se tentarem muito, provavelmente serão apenas "empregados" como seu pai. E o mais engraçado disso tudo é que meu chefe paga as escolas dos seus filhos com o dinheiro que vem dos frutos do meu trabalho. Nada muda, só se trocam os personagens, sempre haverá o burro de carga e o seu dono. Não me parece nada justo.

Será que outros empregados já pensaram nisso? Eu trabalho, trabalho e trabalho e nunca consigo nada. Alguma coisa está errada. Tem gente que faz muito pouco ou nada e ganha muito mais do que eu. Às minhas custas! Não que meu patrão não mereça nada, mas e eu, como é que fico? Sem nada, apenas mais um nessa gigantesca engrenagem que tira de muitos e… Puxa, o canal entrou no ar!!! Bem na hora do jogo!!

Quem dera se a televisão "saísse do ar" mais vezes…
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Fabiano Che

quinta-feira, 11 de junho de 2009

(Chanfrando) O Pai, o Filho e o Burro

Numa velha fazenda, situada não importa onde, vivia, não importa quando, um fazendeiro muito velho e seu filho manco. Era uma fazenda paupérrima que tinha apenas uma pequena horta de onde tiravam o dinheiro para se sustentarem. Não tinha nenhum animal além de um velho burro de carga.
Todo mês o fazendeiro pegava seu ínfimo dinheiro e partia rumo à cidade a fim de comprar víveres. Quanto a seu filho, esse nunca saiu da roça e estava muito a fim de conhecer a zona urbana.
Numa dessas saídas do velho, seu filho lhe pede:
— Meu pai, posso ir contigo à cidade dessa vez?
— Acho melhor não, meu filho — responde o pai.
— Mas porque não?
— Por que a cidade é um lugar desprezível, onde a humanidade é desumana. Eles vivem pra falar mal dos outros e, quando virem um sujeito coxo como você, farão comentários maldosos, comentários esses que te magoariam.
— Exagero!
— Quem me dera eu estivesse exagerando.
— Façamos o seguinte, então, meu pai. Eu monto no burro quando entrarmos na cidade. Dessa maneira, ninguém verá, nem ao menos falará mal de minha deficiência física.
O fazendeiro gostou da idéia e resolveu levar o rapaz dessa vez. Já estava na hora de ele conhecer o mundo.
Ambos se aprontaram e partiram com o burro carregado de verduras que pretendiam vender na feira. A caminhada foi longa e árdua, mas finalmente se encontraram na porta da cidade. O fazendeiro diz:
— Pronto, filho, chegamos. Suba no lombo do burro para que possamos entrar sem ninguém criticar.
Dito e feito. O rapaz monta no animal enquanto seu pai vai seguindo à frente, com os próprios pés, guiando-o. Enquanto adentravam a urbe, olhares acusadores observavam-nos. Eram dos cidadãos, que comentavam:
— Olha só que absurdo! O rapaz, vendendo saúde, vai em cima do burro enquanto deixa o pobre e fraco velho andando. Quanta impiedade!
Pai e filho param e resolvem inverter suas posições no intuito de cessar os comentários, apesar do que fora combinado antes. O velho sobe nas costas do animal enquanto o rapaz vai andando na frente.
Logo adiante, mais olhares acusadores e mais críticas:
— Me abismo vendo uma coisa dessas. O homem vai na boa em cima do burro e deixa o filho aleijado andando no maior sofrimento.
Os dois param novamente e tentam arquitetar um novo plano de caminhada sem que ninguém fale coisa nenhuma. A solução que encontraram foi a seguinte: ambos montariam no burro e ninguém reclamaria da velhice e da deficiência de pessoa alguma. Parecia um bom plano. Assim fizeram e continuaram o trajeto. Só que o animal mal agüentava uma pessoa, veja lá duas. O pobre burro sofria enquanto carregava pai e filho. Pra variar, pessoas comentavam:
— Olha só pra esses dois preguiçosos sem misericórdia. Não querem nem saber de andar e maltratam o pobre animal dessa maneira.
Pai e filho já estavam se cansando de tudo aquilo e tomam uma decisão inusitada. Colocam o burro em suas costas e carregam-no enquanto prosseguem. Evidentemente, pessoas falam mal:
— Mas que estupidez! Os animais foram feitos para serem montados e não para montar. É cada uma que se vê.
Não havia mais opções. Não tinha mais como esconder das pessoas as coisas que essas julgam e condenam. Foi o jeito apelar à honrosa tranqüilidade… Pai e filho prosseguem andando e puxando o burro, ignorando, finalmente, o que todos tinham a dizer.
Eles chegam à feira, fazem seus negócios e vão embora sentindo um nojo profundo pelas pessoas da civilização. O rapaz prometeu nunca mais voltar; o velho pensou na possibilidade de não sair mais da sua fazenda. Não queria mais sentir aquele desgosto no seu pouco tempo de vida restante…
PS.: esse conto é uma adaptação baseada na fábula “O homem, seu filho e o burro” (http://www.metaforas.com.br/infantis/ohomemeoburro.htm) que tem como moral “Quem quer agradar todo mundo no fim não agrada ninguém”. Essa adaptação não tem moral (quem sou eu pra dar uma lição de moral!?), mas apenas exibe um comportamento demasiadamente hipócrita. Com exceção de nós, todos falam mal dos outros.
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Giuliano Marley

sábado, 6 de junho de 2009

Atrofia Cerebral

Quando digo que todas as pessoas são inteligentes, mas algumas se esforçam mais que as outras, sou alvo de dedos trocistas (tenha como “inteligência” a capacidade de se expressar lógica e criticamente de forma razoável).
Parece que a porção do encéfalo que ocupa toda a parte superior e anterior na caixa craniana das pessoas sofreu de uma insuficiência nutritiva que se exteriorizou por desgaste ou diminuição das células nervosas (seus cérebros atrofiaram!). Não sei se isso é genético ou se Deus coloca asteriscos apenas nos nomes de alguns. Não sei!
Mas o fato consumado é que seus malditos corpos são bombardeados por alimentos que causam deterioração. Carnes, frituras, doces e todo esse lixo que é consumido em excesso sem nenhum escrúpulo estão na lista (sem fontes confiáveis). Cito ainda o álcool. Sou a prova viva do mal que isso pode causar à capacidade mental. Eu bebia (esporadicamente) e me sentia tão estúpido. Depois que parei com esse hábito (“culpa” da falta de verba) comecei a enxergar as coisas com maior clareza. Minha perspicácia tinha retornado. Hoje voltei a bebericar aquela bebida fermentada gaulesa, feita de cevada, do lúpulo e doutros cereais, pois agora me encontro numa surmenage.
Aí me convenço ainda mais desse definhamento cerebral. A maioria das pessoas trabalha em empregos árduos, estressantes e que lhes causam uma canseira desmedida. Elas se vêem obrigadas, assim como eu me vejo atualmente, a consumir essa bebida que derrete os neurônios.
E parece que derrete mesmo. Estava eu numa palestra anteontem para os pintores na loja de materiais de construção que trabalho e pus em prática minha habilidade já reconhecida por uma grande mente: minha percepção (que soberbo)! Numa apresentação de qualquer caráter, sempre me situo nos fundos do ambiente para que eu possa perceber de forma mais apurada. E lá me encontrei, dividindo meu cérebro para prestar atenção à rica palestra que não me envolvia de maneira nenhuma (ou seja, não sou pintor nem vendedor de materiais para esses profissionais e não importava se eu tivesse assistido à conversação ou não). Olhando para todos os lados, vi que os presentes, na qual deveriam se aperfeiçoar, simplesmente estavam com olhares vazios. Pareciam cansados de tudo aquilo que, com certeza, faria com que se tornassem melhores em seus ofícios. Via em seus olhos a churrascada e cervejada que esperavam por todos logo a seguir. Apenas alguns estavam atentos como eu, e esses eram aqueles à qual eu julgava serem de uma capacidade intelectual mais acentuada (que altivo!); os outros era aqueles à qual eu julgava ébrios.
E quem bebe tem estilo, diz a caixa! Dentro dela vê-se que, ao beber, lindas modelos apaixonar-se-ão por você, você terá carros conversíveis, muitos amigos e felicidade plena. Ela lhe mostra uma saída para o caos que se estabeleceu na realidade. Ela quer que você fuja e que não encare seus problemas. Essa maldita caixa.
Ah, a caixa! Essa sim faz seu cérebro se empobrecer. Você confia nela! Ela lhe dá respostas prontas e você as recebe sem ao menos duvidar e questionar. Se teve uma reportagem onde diz que o avião da Air France caiu na ilha de Lost, então você dirá a todos que assim aconteceu. Quem duvidar, questionar ou trazer outras hipóteses será chamado de burro. Você precisava (não, não precisava) ver o papo dos chapas que estavam descarregando uma carreta de piso na sexta-feira pela manhã, justamente sobre o tal avião, passando pelo padre dos balões, chegando até Lula e Obama. Só me fez anotar o resultado e ter condições de escrever o atual parágrafo.
Já falei sobre as novelas, não? Sim, então nem precisa mais dizer nada sobre o assunto, apenas que, além de não lhe dar nada, ela lhe tira.
Não gosto de fazer o estilo que impõe, mas vejo que é por uma causa nobre. Então, exercite essa geléia que você chama de cérebro. Vá ler um livro, um blog que aspira à sensatez, uma bula de remédio. Jogue aqueles estúpidos quebra-cabeças em flash que estão suspensos na Internet. Efetue problemas, mesmo que simples, das quatro operações fundamentais no papel, nos dedos ou de forma rupestre. I don’t know, but… Não diga que tem preguiça, pois acabará sendo esse um sinal de verossimilhança de minhas teorias. Leia esse texto até o fim, analise e dê sua opinião. Concorde comigo, mas não pra querer me agradar; discorde de mim, mas não por me achar arrogante. Não force uma cerebrastenia. Depois não me venha reclamar de sua vida enfadonha e sem objetivo.
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Giuliano Marley*

domingo, 31 de maio de 2009

Lápis Preto Nº 2 em Folhas Amarelas

— Ei, Deus. Posso expor nosso diálogo para que todos vejam?
— Por que acha que não poderia?
— Não sei. As pessoas são loucas. Apedrejar-me-iam na rua gritando “blasfemador”, “hipócrita”, se eu disser que conversei com Deus.
— Mas não é você o cara que sempre se diz que não se ofende com nada?
— Sim, sou.
— Hipócrita!
— Ei, Deus tem senso de humor?
— Eu inventei o senso de humor.
— É verdade… Mas me diga, por que você não fala com as pessoas?
— Eu falo, mas elas não me ouvem.
— E por que estou ouvindo?
— Você é louco, de uma imaginação fértil!
— Hem?
— Calma! É apenas senso de humor divino.
— Posso perguntar coisas?
— Você tudo pode.
— Uh, obrigado. É a primeira vez que ouço isso.
— Pergunte o que quiser.
— Ahhh… O Brasil vai ser hexa em 2010?
— Não seja estúpido!
— Ei, relaxa… Além disso, eu pensava que Deus usava termos mais sofisticados, como o correto emprego dos pronomes oblíquos.
— Por quê? Eu tenho todos os termos do mundo e uso aqueles me fazem ser compreendido mais rapidamente. Um humano certa vez disse: “Faça as coisas o mais simples que você puder, mas não as mais simples.”
— Quem foi o louco que disse isso?
— Ok, chega de papo furado. Cadê suas perguntas?
— Certo. O céu existe?
— Vá lá fora e olhe pra cima. Se houver algo azul lá, sim.
— Não, digo o paraíso!
— Depende.
— De quê? De eu fazer coisas boas ou ruins aqui na Terra?
— O que são coisas boas e ruins?
— Não sei. Todo mundo sabe o que é certo e errado.
— Eu não sei.
— Ah, tá certo. Matar é uma coisa ruim.
— É verdade. Como daquela vez em que o cara matou o bandido que estava apontando uma arma pra cabeça de sua família.
— Bem, essa foi uma situação excepcional.
— Se há situações excepcionais, então não existe de forma absoluta. E se não existe de forma absoluta, então não pode ser classificado como bom ou ruim.
— Então coisas boas e ruins não existem.
— Você ouviu alguma palavra do que acabei de dizer, filho?
— Desculpe, me distraí com aquele esquilo ali.
— He, he! Boa.
— O que tens a dizer sobre o paradoxal fato de existir um homem invisível que mora no céu, que vigia tudo que as pessoas fazem, todos os minutos de seus dias. Onde esse homem invisível tem uma lista especial de dez coisas que ele não quer que façamos. E se fizermos qualquer uma dessas dez coisas, ele tem um lugar especial cheio de fogo e brasa ardendo, e tortura e sofrimento, para o qual vai nos mandar viver e sofrer e arder e sufocar e gritar e chorar, para todo o sempre, até o fim da eternidade… mas que me ama?
— Quem é esse homem invisível? Admito que não o conheço.
— É você, Deus!
— Eu??? Eu não faço nada disso. Eu te amo, certo, mas não sou invisível.
— Ah, não? Então cadê você?
— Estou em todos os lugares. Sou esse monitor LCD, esse travesseiro que você coloca na cadeira pra suas costas não doerem, sou essas bonequinhas hentai que estão sobre a escrivaninha.
— Shhh… Já entendi.
— Sem contar que um de meus filhos mais sábios cantou: “Eu sou a luz das estrelas/Eu sou a cor do luar/Eu sou as coisas da vida/Eu sou o medo de amar…”
— Ele também conversou com Deus?
— Sim, e logo depois ficou conhecido como “O Maluco Beleza”. Talvez você deva pensar num adjetivo que defina a loucura da qual as pessoas acusar-te-ão depois dessa postagem. Existe na sua cidade “O Maluco do Veneno”. Seja “O Maluco do Ácido”, então. Mentes brilhantes saberão o porquê.
— Muito corrosivo esse nome.
— Druuum, bassss!
— Ha, ha, ha!
— E que lista? Como em “My Name Is Earl?”?
— São chamados os dez mandamentos.
— Não escrevi nada parecido. Vi algo aqui no Google e diz coisas como não matarás e não cobiçar a mulher do próximo… Que absurdo. Seria contraditório de minha parte ditar regras depois de ter feito correr o rumor de que as pessoas têm livre-arbítrio.
— Demasiadamente. E existe o inferno, ou esse lugar cheio de fogo, blá, blá, blá?!
— Você quer que exista?
— Não.
— Então não existirá!
— Basta querer?
— Sim. Se você realmente acha que existe esse lugar e pensa que vai parar lá quando morrer, então você vai.
— Não me parece muito lógico.
— A eletricidade também não parece ter muita lógica, mas existe.
— E se eu pensar que vou a um lugar onde chove cerveja e bolinhos, onde passa coisas realmente úteis na televisão e onde é possível navegar no Internet Explorer sem se irritar, quando eu morrer, assim será feito?
— Não me parece um mundo muito… interessante… mas a resposta é sim.
— Não me julgue.
— Eu não julgo… Apenas observo.
— Então porque julgaste?
— Tentei imitar um humano. Vocês julgam demais.
— Eu, não!
— Você também!!! Com menos intensidade, certamente, mas ainda julga.
— Tenho milhões de outras perguntas pra fazer… Nem sei por onde começar.
— Ei, esse texto está ficando muito grande, não acha? Apenas três pessoas o lerão completamente e você vai suspirar de desgosto, esboçando uma infelicidade.
— Então posso escrever um livro onde mostro meu diálogo com Deus?
— Poder você pode. Você pode tudo, aliás. Mas saiba que já fizeram isso. Sugiro continuar apenas no blog.
— Ok, você quem manda.
— É, eu sei.
— Então, falou!
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Giuliano Marley

domingo, 24 de maio de 2009

Papo furado

As pessoas têm o hábito de comprar verdades prontas e enlatadas, fugindo de qualquer reflexão. Por exemplo, se eu te perguntasse se há um céu para onde se ir, você provavelmente diria:
— Claro, que pergunta! — eu, olhando fixamente em seus olhos, replicaria:
— Como você sabe?
— Está escrito, ora bolas!— cruzando os braços, eu talvez dissesse:
— Então se eu escrevesse em um pedaço de papel "Pule da ponte", você pularia da ponte?
— Claro que não, seu bobo. Deus disse que há um céu para onde se ir!— eu, curioso, perguntaria:
— Como você sabe que Deus disse isso? Alguém simplesmente pode ter escrito isso e dito que foi Deus. Não estou dizendo que Ele não disse isso, mas que existe a possibilidade de não ter sido Ele.
— É preciso ter fé — você diria, visivelmente aborrecida(o).
— Com a fé não tem como argumentar. Passemos então pro próximo ponto.
— Como assim próximo? — eu, arqueando os sobrolhos, diria:
— Se há um céu para onde se ir, e nem todos vão para esse céu, há então uma espécie de julgamento entre certo e errado, certo?
— Ahn… Sim.
— Eu lhe pergunto, por que Deus daria ordens que ele veria que não seriam cumpridas? Além disso, julgar me parece uma coisa totalmente humana e imperfeita.
— Como assim "não seriam cumpridas"? Se as pessoas não cumprissem suas ordens, o mundo estaria um caos e ninguém iria para o céu — Eu te daria um olhar triunfante e diria:
— Eu queria chegar até esse ponto. Então o Deus do Amor controla seu rebanho através do Temor?
— Não… Não sei. Você tá me dizendo que não existe Deus ou que Ele é um tirano?
— Não, estou te dizendo que essa é a imagem que passam dele — você, com uma cara meio estranha diria:
— Então você acha que devemos só pensar em nós mesmos e não nos preocupar com o futuro, pois não existe céu?— eu, tentando pensar em algo, responderia:
— Eu não disse isso, eu só acho que… — você me interromperia:
— Nesse caso, posso fazer tudo que eu sempre quis, mas achava que Deus iria me castigar! Obrigado, você abriu meus olhos. Nada de respeitar o próximo ou baboseiras desse tipo! — eu, estupefato, tentaria inutilmente contra-argumentar:
— Tu é doid'eh? Eu não falei nada disso!— mas você não me daria ouvidos e iria embora.
P.S.: Eu acredito em Deus.
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Fabiano Che

sábado, 23 de maio de 2009

“Quis custodiet ipsos custodes?”

Das sátiras de Juvenal, essa expressão traduzida do latim significa “Quem guardará os guardiões?”.
Há dezenas de situações aplicáveis para essa frase, mas demos atenção à nossa polícia. Se essa corporação age como guardiã da sociedade, então quem irá vigiá-los para ter certeza de que não são perigosos? A Justiça? A população? Hum! Creio que não. Esqueceu-se que estamos no Brasil?
Diabo! Estávamos um colega e eu passando pelas ruas da minha cidade e comentando sobre a estupidez dos motoristas desse lugar, que estacionam embaixo dos semáforos e burlam outras leis de trânsitos, quando, no semáforo seguinte, nos deparamos com dois policias com motos, ambos parados sob a sinaleira e sob uma placa bem grande com uma letra “E” gravada e sobposta a duas faixas entrecruzadas (proibido parar e estacionar). E não estavam numa ocorrência, não! Pararam pra olhar as novidades da barraca de CD pirata de Damião.
Não contei ainda a vez que fui a não importa onde de ônibus e houve uma pequena discussão entre os PMs que ali estavam e o motorista. Parece que, por Lei, até duas pessoas em situações especiais podem viajar de graça nos ônibus de quaisquer empresas, onde “especiais” entende-se policiais, oficiais de justiça e todo esse adubo. Só que três policias estavam no veículo, todos sem bilhete, nenhum com a farda (que é uma exigência para consumar a sua distinção). Queriam porque queriam continuar a viagem gratuitamente, mesmo alegando terem ciência das regras. Diziam também que sempre viajaram daquela maneira. Oh, God! Giuliano Marley e sua habilidade contra-argumentativa redargüiria de forma que, supostamente, os faria entender que só porque sempre erraram, não quer dizer que podem errar sempre. A minha vontade de falar muitas verdades pros custodes foi intensa, entretanto coldres nas cintas me fariam levar chumbo quente nos cornos.
A decisão do motorista em não continuar com a viagem naquela situação foi soberana, e ficamos todos parados ali até perceberem o quão inflexível era o chofer. Finalmente um deles cedeu e comprou a passagem.
Que sejam pederastas passivos os policiais do Brasil, que espancam homens e mulheres, idosos e crianças, qualquer um, todos já dominados e com as mãos na cabeça. Que reúnem um batalhão de soldados quando há alguma baixa, mas nem se movem quando um maldito cidadão sofre alguma brutalidade. Que pedem identidade pra depois me bater.
Essa não me parece uma atividade exclusiva aqui do fim do mundo. Se a caixa não estiver mentindo mais uma vez, como sempre faz, então digo que isso acontece em todos os lugares do País, inclusive onde a fiscalização… exis… existe (wow, quase não sai). Eles apenas olham a nuança de tua tez e decidem instintivamente se te batem ou se te batem muito.
P.S.: é comum jogarem álcool no árabe por causa de suas críticas ácidas. Porém… não risque o fósforo ainda, pois não falo de todos… apenas de quase todos.

sábado, 16 de maio de 2009

O bom e velho "Se"

SE Ernesto tivesse virado à esquerda como faz todos os dias, possivelmente teria parado em frente à vitrine de uma loja para admirar uma jaqueta que estava em destaque. Ele provavelmente se atrasaria para o trabalho, pegaria um atalho e veria um assaltante roubando uma velhinha. Ele viria ajudá-la, o que afugentaria o meliante. A senhora agradeceria e prometeria tomar mais cuidado. Ernesto teria uma boa desculpa pelo atraso e talvez resolvesse aproveitar o resto da manhã, vendo um bom filme no cinema.
SE ele decidisse se sentar na terceira fila e notasse que perdeu as chaves, ao se levantar para procurá-las esbarraria em uma linda moça que, embora nunca a tivesse visto, sentiria uma nostalgia inexplicável. Ele a convidaria para assistirem ao filme juntos, e a garota, apesar de receosa, diria sim. SE depois do cinema Ernesto a convidasse para comer algo, a moça aceitaria seu convite. Ele talvez elogiaria os lindos cabelos ruivos da garota que, sem jeito, daria um belo sorriso. Os dois provavelmente se apaixonariam um pelo outro e talvez se perguntariam como viviam antes de se conhecerem.
SE Ernesto tivesse virado à esquerda, aquele teria sido um grande dia, pois quando chegasse ao trabalho e explicasse a situação ao chefe, este ficaria estupefato por que a senhora que ele salvaria mais cedo era sua mãe. O patrão de Ernesto, agradecido, lhe daria uma boa recompensa em dinheiro e uma promoção no seu emprego. Talvez com o dinheiro do prêmio Ernesto poderia pagar a operação do seu pequeno e enfermo irmão.
SE Ernesto tivesse virado à esquerda naquele dia, se atrasaria para o trabalho, salvaria uma pessoa, conheceria o "amor de sua vida" e seria promovido. Mas Ernesto, justamente nesse dia, achou melhor pegar um caminho diferente para sair da rotina, e virou à direita.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Escravocracia Esconsa

…como eu estava dizendo, o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravatura. Digo, foi o último país ocidental independente a acabar com a escravidão. Aliás, ainda não abolimos! Hoje eu posso ter meu próprio escravo. De qualquer etnia, religião, gênero… Desde que tenha mais de 18 anos e uma carteira de trabalho. Posso fazer com que ele trabalhe de domingo a domingo e pagar-lhe-ei, dentro da Lei, o suficiente para que ele mal sobreviva.
Há exatos 121 anos correu o rumor de que o regime de escravidão tinha sido banido do Brasil. “Uma linda princesa teria salvado milhares de pessoas de suas situações aflitivas com apenas uma assinatura. Ela, que acabou por declarar posse do cognome ‘A Redentora’, era uma pessoa muito boa, por isso defendeu os africanos e seus descendentes que estavam sendo escravizados no Novo Mundo.” Pelo menos é essa a historinha que nos contaram no primário.
Porém aquela nossa professora de História mal paga do ensino médio contradiz essa versão dos fatos e nos avisou (antes de ser raptada por homens de preto) que as coisas foram bem diferentes. Eu não estava lá pra confirmar, mas diz-se que “Abolição, abolição” era o coro da nação. O populacho cairia de pau sobre a filha de D. Pedro II se essa não assinasse a lei que extinguiria a escravidão no Brasil. Ou seja, não havia generosidade alguma, apenas medo de decapitações e outros interesses capitalistas que não vale a pena mencionar nesse texto. "A Lei Áurea deu liberdades aos negros e mulatos, mas não lhes garantiu alguns direitos fundamentais, como acesso à terra e à moradia, que os permitissem exercer uma cidadania de fato"¹. Apesar de tudo, não nos atentemos aos afro-descendentes aqui, apenas aos trabalhadores brasileiros de uma maneira geral.
É claro que há aqueles que trabalham de segunda a sexta, das 8 às 12 e 14 às 18 (talvez menos), sim, sentados em frente a um computador, numa sala com ar-condicionado! Entretanto, encaremos os fatos. A grande maioria dos trabalhadores tem um expediente exorbitante. Entram às 7 e só saem às 19 horas, de segunda a sábado (ou domingo). Acordam às 6 (ou antes) e chegam em casa às 20 horas (ou depois). Tudo isso num desgaste físico, psicológico e emocional incomensuráveis. Quando chega ao fim do mês, ganha um salário insignificante. Salário esse que se evapora num único dia. O quê? Achas tu que estou sendo hiperbólico? Não! Meu bloquinho de experiência de vida está cheio de anotações, pois já vivi (ainda vivo, agora com menos intensidade) dessa maneira.
Quando eu trabalhava não importa onde, chegava a ficar mais de 36 horas sem poder ir pra casa, e quando finalmente deitava na minha cama, teria 12 horas pra me recompor e voltar pra senzala, não importando se era domingo ou feriado. Depois as coisas melhoraram. Eu entrava às 7 horas, tinha 90 minutos de almoço, voltava e saía às 19h30. Sabe quando eu vivia? Nunca. Não, nunca não é muito tempo. Eu caía na cama (ploft!) e o despertador vomitava um som lancinante indicando que hoje, quarta-feira, já seria amanhã, segunda-feira. Minha vida passava, simplesmente. Eu nem via a cor do tempo. Recebia um maldito dinheiro que não dava pra gastar. Como eu iria à loja de roupas se essa estaria fechada nos meus minutos de folga à noite?
O Ministério do Trabalho poderia me ajudar? Sim, ele poderia. Ele poderia, sim! […] Enfatizemos o futuro do pretérito e relembremos que estamos no Brasil.
E ninguém, não faz nada? Não, pois ninguém está trabalhando agora. Ninguém deve estar sendo açoitado por palavras estressadas de um gordo leitão capitalista, tendo toda a culpa sendo colocada sobre seu dorso.
Soluções? Não me atrevo a propor soluções aqui (— Você dá muita lição de moral, Giuliano). Só o que sei e queria que você soubesse (se é que já não sabe ou que não tinha percebido ainda) é que hoje não passa de mais uma data sem um fundamento de bases sólidas. Assinaram o fim da escravidão no dia 13 de maio, mas a escravidão ainda existe por aqui.

domingo, 10 de maio de 2009

Presente do Dia das Mães

O que você deu de presente pra sua mãe hoje? NÃO, NÃO! NÃO ME CONTE! Não quero saber, pois, pelo menos pra mim, tanto faz… […] Espero que não seja um sofá ou um liquidificador… Ei, calma, tanto faz mesmo. Mas saiba que seria estúpido da sua parte dar esse tipo de presente (apesar de eu acreditar que as pessoas fazem o que quiserem com suas próprias vidas, inclusive dar qualquer presente). Mas… é que…
Bem, hoje é o chamado “Dia das Mães”. Dia em que finalmente damos um presente pra elas. Uns dizem que não dão presentes no dia de hoje, pois presentes têm que ser dados o ano inteiro, não numa data predeterminada; outros dizem que mãe é tudo e que merece todos os presentes do mundo. Então, cada um faz o que quiser. Eu acho interessante a idéia de tirar um dia desse calendário falível para homenageá-las. E quanto aos presentes, bem…
A idéia de mãe está tão estereotipada graças à geração machista antecedente (por que não dizer atual?). A imagem que se tem de mãe é aquela que acorda antes que você pra fazer seu café, que está lhe esperando pro almoço com a comida prontinha, que limpa a casa, ou seja, uma empregada doméstica que não é remunerada. A maioria das mulheres da última geração que se tornaram mães virou, conseqüentemente, donas-de-casa. Há uma visão inconsciente de que mãe não é mulher. Talvez por isso tapetes, fogões e jarras de suco sejam os presentes mais dados.
Se você deu esse tipo de presente, não sei, mas diria que és um fraco que deixa ser bombardeado pelas propagandas que atacam de todos os lados. Já reparou como as lojas de móveis e de itens domésticos anunciam tanto nesse época do ano? Dizem que fará sua mãe realmente feliz comprando a linda e magnífica TV de 42" usada por todos. São capitalistas? Sim, também, mas são, principalmente, aproveitadores, pois usam essas idéias preconcebidas conforme suas necessidades.
O que você acha que sua mãe vai fazer com aquela geladeira nova, com aquela mesa de mármore, com aquele conjunto de panelas, que você deu? Trabalhar mais… e gratuitamente… pra você. Oh, good for you, mas não pra ela que o carregou 9 meses na barriga, que teve todos os seus hormônios modificados, ficou com pés inchados, constipação, dores nas costas, mudou o humor, que ficou horas em trabalho de parto com um médico “medindo” o tempo todo, ou que passou por uma cirurgia, teve 7 camadas de seu corpo cortadas, foi costurada e, mesmo com todos os pontos, acordava de 3 em 3 horas, durante meses, para dar à sua pessoa o que comer e que recebeu mordidas no bico do seio enquanto fazia isso. Uma pessoa que trocou fraldas e ainda se preocupava em analisar o cocô. E é a pessoa que a gente sempre chama quando acontece alguma coisa. Sim, porque quantos que vocês conhecem acordam no meio da noite e gritam "PAI!"?.
Pense nisso. Talvez ela diga que amou o presente, mas no fundo está frustrada. Ela estava querendo aquele vestido azul ou aquele CD do Roberto Carlos. Sim, talvez ela tenha dinheiro pra comprar essas coisas, mas não teve a satisfação de recebê-lo no dia em que disseram que seria o dia dela. Você não quer ver sua mãe privada da satisfação dum desejo ou duma necessidade, quer?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dividir para conquistar

Meu Deus, um emo!! Adoro emos!!
― Não suporto emos. Aposto que são todos boiolas!
― Comunista!!
Herege!!!
― Ateu!
Estamos sempre julgando e tachando as pessoas: velho, rico, burro, feio, esperto, malandro, inteligente… Parece que temos uma necessidade de classificar todos para entender o outro. Ao dizer que certa pessoa é estúpida, você a limita a apenas um conjunto de "ações de pessoas estúpidas", ou seja, um personagem e não um ser humano.
A humanidade se divide mais e mais, tornando-se cada vez mais distante de si mesma. Política, religião, futebol, sexo e música que, teoricamente, deveriam Nos unir, Nos separa e Nos coloca uns contra os outros, pois como não Nos enxergamos no outro, Nos vimos como espécies diferentes e rivais de uma disputa imaginária. E o engraçado é que quando se entra em contato com alguém diferente, percebe-se os mesmos medos, inseguranças e indecisões que você. A patricinha e o metaleiro também sofrem, sorriem e sangram igual ao pagodeiro e o nerd. Então pra quê esse abismo entre todos? Se respiramos o mesmo ar, bebemos a mesma água e lemos o mesmo blog, por que raios espancamos, queimamos, matamos e ferimos a nós mesmos?
(Ativar Modo Piegas) Criamos paredes invisíveis para nos proteger do frio, sem dar conta de que… Melhor parar por aqui antes que alguém chore.
Namasté

domingo, 26 de abril de 2009

Diabolepsia

A incompreensão gera desconfiança. O homem sempre está buscando respostas para suas perguntas (pra quê mais seria?). E quando se depara com algo que não consegue explicar, justifica como injustificável. Assim surgiram os mitos. E ao aceitar o mito como realidade, surge o dogmatismo que engessa o raciocínio, transformando as pessoas em estátuas de sal (Não tente entender, só ouça seu coração). O homem preso à moral dogmatizante é ingênuo, despreza o raciocínio, presume e aceita silenciosamente o mito.
E quando alguém age ou pensa diferente, primeiramente é visto como incomum, para depois ser julgado e condenado (Ela usa salto alto, queimem a herege!!). Ou seja, o pré-conceito faz parte dos domínios da crença, não tem qualquer base racional e vai além de qualquer argumento. Logo, o que é incógnito é rapidamente demonizado e exterminado.
Aí vem a grande questão: por que as pessoas dão maior valor ao invisível do que ao visível? Qual o problema de dar um pouquinho mais de atenção à "vida terrena" em detrimento da "promessa do paraíso"? De forma alguma estou tentando desvalorizar a consciência mítica, pois esta é indispensável à vida humana, pois sem fantasia a vida não faria sentido algum (não que faça sentido com ela).
Estou dizendo aqui que a verdade não está lá fora e que, só por que um sacerdote disse que Alberto é santo, não significa que Alberto seja santo. Não. Só observo que talvez Alberto, apesar de boa pessoa, não seja sagrado.

P.S.: Não afirmo que o invisível não exista, mas só que não podemos vê-lo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Descobrimento do Brasil

Baseando-se no calendário gregoriano, há exatos 509 anos “descobriram” um lugar que acabou por ser chamado de Brasil. Então vamos comemorar!
Vamos comemorar o aniversário do Brasil que tem um passado de absurdos gloriosos. Vamos cantar o hino nacional com a mão no peito. Eu não sei o que quer dizer “o lábaro que ostentas estrelado”, mas e daí? Amemos nossa bandeira que representa nossas desmatadas florestas, nosso ouro roubado por uma opulenta minoria, nossos azuis (agora cinzas e poluídos) céus e nossa paz que não nos permite mais sentar no banco da praça à noite.
Envaideçamo-nos por termos sido o último país das Américas a abolir a escravatura. Aliás, ainda não abolimos! Hoje eu posso ter meu próprio escravo. De qualquer etnia e religião, desde que tenha mais de 18 anos e uma carteira de trabalho. Farei com que ele trabalhe de domingo a domingo e pagar-lhe-ei, dentro da Lei, o suficiente para que ele mal sobreviva.
Vamos festejar as epidemias! É lindo ver a dengue matando tantos. Todos mortos por falta de hospitais, todos doentes pela burrice da população. População que deixa água parada no quintal quase que propositadamente, talvez pra poder observar os mosquitos se procriando, mesmo sabendo que isso trará malefícios.
Vamos pular por uma das semanas de fevereiro e fingir não ouvir crianças suplicando por um pedaço de pão antes de morrerem de fome. Embriaguemo-nos e postemo-nos em frente a um volante. Reclamemos daquele maldito guarda que nos parou e nos disse que não tínhamos condições de dirigir. Ora, bolas! Quem ele pensa que é? Ofereçamos uma oncinha para que ele me libere e eu possa atropelar pessoas que ficam nas paradas de ônibus. É óbvio que ele vai aceitar. Afinal, ganha tão pouco quanto vocês, pobres, sujos, ociosos, que estão onde estão por pura preguiça.
Laureemos a vitória do nosso time e exterminemos todos os rivais. Ei, só porque vestimos (meus amigos e eu) camisas que têm listras horizontais vermelhas e pretas e odiamos aqueles que vestem camisas brancas com uma faixa diagonal preta não quer dizer que somos de uma gangue. Bem, andamos armados e matamos também, mas é diferente. Diferente não sei como…
Não sei me explicar. Não sei me expressar. Mal sei ler. Ué, quando eu era jovem não tinha escola. O descaso com a educação era evidente, por isso não estudei… Aliás, ainda hoje o descaso se evidencia. Há quem tente melhorar esse quadro, mas eles são loucos. Querem que meu filho entre às 7 horas da manhã e só saia às 5 da tarde! Dizem que ele vai ter aulas de educação física, artes, informática. Ele não precisa disso. É só bater baba na porta da rua, pichar o muro dos riquinhos e ir à Lan House acessar seu Orkut. O que ele precisa é ir à casa da avó à tarde.
Ah, a avó, aquela idosa. Trabalhou honestamente por toda sua vida e hoje não tem direito a nada. Mas ela não votou direito nas eleições democráticas que se passaram… Foram apenas algumas, mas foram bem democráticas! Sim, sei que ela é analfabeta, mas esse país (nação, não) ainda é democrático.
Valeu a pena “descobrir” o Brasil!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A morte de Romeu

"Deu mole na balada, eu vou pegar geral, a onda é beijar e tchau, tchau" (Aviões do Forró)

O romantismo parece estar caminhando para o "abismo do esquecimento" (ha, ha, ha! Abismo do esquecimento). Hoje em dia, fala-se muito de sexo e pouquíssimo de amor. Talvez porque seja muito mais difícil falar de amor do que de sexo. E, paralelamente ao crescimento das cidades, aumenta a solidão das multidões (O Mal do Século). Quiçá o discorrer sobre sexo seja uma forma de disfarçar a impessoalidade dessas relações de modo que o contato físico simula o verdadeiro encontro.
A sociedade impõe um padrão de comportamento que visa somente o prazer imediato, ignorando coisas simples e fundamentais como o respeito, educação, entre outros. Atualmente, quem "pega mais gatinhas" em uma festa é o macho dominante. Aquele que ousar dizer que lê poesias ou que não gosta de beijar por beijar é apedrejado em praça pública (ainda tenho marcas de uma pedrada na cabeça). Quem se envolve menos, sofre menos, chora menos, mas será que também não vive menos?
Nesse mundo cada vez mais atarefado, tentamos aliviar nosso estresse pegando sempre mais e mais gatinhas, mas não entendemos que estamos cada vez mais sós.

"Me diz porque será, que a gente atravessa o rio atrás de água e diz que não está nem aí" (Engenheiros do Hawaii)

domingo, 19 de abril de 2009

Índios

Hoje é dia do índio, lembra-se?
Acho que não… Se você ainda estivesse no primário talvez se lembrasse, pois te encheriam de uma maquiagem horrível, penas na cabeça e obrigar-te-iam a usar uma tanga feita de saco de estopa à qual tens alergia. Você seria um curumim perfeito segundo as normas de como é ser um índio (vulgo estereótipo).
Ei, hoje é domingo e não teria aula. Então, ainda assim você não se lembraria que é hoje o dia do índio (e você não iria ter de cantar aquela música em que se bate a mão na boca enquanto solta um “Uhhhh”).
Ah, os índios. Aqueles… aqueles… matutos… que visitamos nas nossas férias. Ficamos observando-os como fazem com ratos brancos numa jaula. Ficamos observando-os como se eles fossem uma espécie exótica, sei lá… como se fossem lobos voadores azuis ou um Pokémon raro.
Ah, os índios! Eles ainda existem? Baseado em conjecturas (constatações feitas através daquela caixa que fala de longe e deturpa fatos) pude concluir que não mais. Os índios não existem mais! Não num sentido mais profundo! Como assim? Bem… Eles falam português… usam bermudas jeans… ouvem o resultado do Fla-Flu pelo rádio. Não passam de estúpidas pessoas comuns como você e eu (ops!), só que com uma cútis cor de bronze e cabelos lisos. Sim, talvez ainda batam alguns tambores, se pintam e caçam com armas rústicas. Entretanto, se embriagam, estupram e fumam crack, sem contar o fato de que vão às cidades grandes pedir esmolas e são queimados por cientistas pirófilos que acham divertido queimar os ratos. Não são mais verdadeiramente índios.
Como era lindo o estilo de vida dos indígenas! Viviam peladões pela selva como pagãos, dançando e tocando flauta de pan. Mas lhes deram espelhos e… a maldade humana também.