domingo, 19 de abril de 2009

Índios

Hoje é dia do índio, lembra-se?
Acho que não… Se você ainda estivesse no primário talvez se lembrasse, pois te encheriam de uma maquiagem horrível, penas na cabeça e obrigar-te-iam a usar uma tanga feita de saco de estopa à qual tens alergia. Você seria um curumim perfeito segundo as normas de como é ser um índio (vulgo estereótipo).
Ei, hoje é domingo e não teria aula. Então, ainda assim você não se lembraria que é hoje o dia do índio (e você não iria ter de cantar aquela música em que se bate a mão na boca enquanto solta um “Uhhhh”).
Ah, os índios. Aqueles… aqueles… matutos… que visitamos nas nossas férias. Ficamos observando-os como fazem com ratos brancos numa jaula. Ficamos observando-os como se eles fossem uma espécie exótica, sei lá… como se fossem lobos voadores azuis ou um Pokémon raro.
Ah, os índios! Eles ainda existem? Baseado em conjecturas (constatações feitas através daquela caixa que fala de longe e deturpa fatos) pude concluir que não mais. Os índios não existem mais! Não num sentido mais profundo! Como assim? Bem… Eles falam português… usam bermudas jeans… ouvem o resultado do Fla-Flu pelo rádio. Não passam de estúpidas pessoas comuns como você e eu (ops!), só que com uma cútis cor de bronze e cabelos lisos. Sim, talvez ainda batam alguns tambores, se pintam e caçam com armas rústicas. Entretanto, se embriagam, estupram e fumam crack, sem contar o fato de que vão às cidades grandes pedir esmolas e são queimados por cientistas pirófilos que acham divertido queimar os ratos. Não são mais verdadeiramente índios.
Como era lindo o estilo de vida dos indígenas! Viviam peladões pela selva como pagãos, dançando e tocando flauta de pan. Mas lhes deram espelhos e… a maldade humana também.

7 comentários:

Arthur Santana disse...

[parceria móó legal]
cara, sua parceria foi aceita!
aind não coloque o seu button lá pq não tô e casa, mas assim que chegar (por volda das oita da noite) coloco a imagem do seu blog lá!
abaço!

Ailton disse...

Texto interessante. Concordo com algumas questões abordadas, porém, discordo da maior parte. Generalizar os índios como pessoas que se “se embriagam, estupram e fumam crack, sem contar o fato de que vão às cidades grandes pedir esmolas e são queimados por cientistas pirófilos que acham divertido queimar os ratos. Não são mais verdadeiramente índios.” Seria simplificar demais a situação.
Não posso discordar de que haja índios que se comportam assim. Mas daí a estereotipar a todos como sendo simples seres que se alienaram diante da “civilização” é ser ingênuo. Existem inúmeros casos. Como os que lutam contra as novidades que vem de fora, pessoas que tentam manter suas tradições, apesar das dificuldades de se manterem isolados do mundo exterior. Também existem aqueles índios que vão as cidades, estudam, se formam e tentam ajudar os seus iguais. Diferente daqueles que vão às cidades apenas para pedirem esmolas.
Talvez (como você colocou) não sejam mais verdadeiramente índios. Mas diante disso há várias formas de agir. Nem todos se corrompem, falam português… usam bermudas jeans… ou ouvem o resultado do Fla-Flu pelo rádio.
Há casos e mais casos, cada um com sua complexidade. Pena que aquela “caixa que fala de longe e deturpa fatos” deixa a entender que eles estão todos condenados a se viciarem ou morrerem queimados por alguns “filhinhos de papai”.

Inez disse...

Nem tudo do texto é real, mas está bem próximo da realidade sim.
Tenho um amigo que está trabalhando no Pará, perto de aldeias de índios, ele diz que é só ONGs estrangeiras e índios pra cima e pra baixo de cherokie, celular, lap top.
A nação indigena que aprendemos na escola não existe mais há muito tempo.

Élly disse...

Feliz dia do Índio.

biscoito20 disse...

Índios...
É uma pena eles terem sido praticamente exterminados pelos mocinhos. Do descobrimento das Américas, passando pelos filmes de bang-bang e chegando aos dias atuais, eles sempre sofreram um bocado para terem o mínimo de respeito e reconhecimento.
Por isso que sempre nos esquecemos deles.

Ailton disse...

Também acho que não exista mais a nação indígena, como ensinavam ou ensinam nas escolas. Aquela visão positivista não se encaixa mais nos padrões atuais. Pra falar a verdade acho que nunca se encaixou, ensinam algo parecido com um conto de fadas. Índios felizes, cantando a música: Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores de Geraldo Vandré, “Caminhando e cantando e seguindo a canção...”.
Bem...os índios não são mais os mesmos desde que o europeu pisou por aqui. Depois de séculos de atrocidades e descaso. Não sei se ver os índios na sua forma primitiva seja correto. Muito menos a educação passar essa imagem.
Os tempos mudam e se torna impossível parar no tempo, não podemos esperar que o índio não estude, para continuar a ser índio, ou que ele não saia da floresta, para ficar mais real a imagem que temos em nossa mente. Seria necessário ter mais consciência sobre suas origens e tradições ao invés de impedi-lo de ter acesso ao mundo exterior.
E ainda não vejo mal em um índio ter acesso à tecnologia, acho que seria até necessário. Um índio não deixa de ser índio por isso. O que precisamos mesmo é de uma educação de verdade, focada em ensiná-los a ter consciência social e cultural, formando pessoas capazes de se reconhecerem na sociedade. Para assim escolherem como viver. Deixaríamos que eles decidissem por eles mesmos qual caminho seguir. Só que nada disso acontecesse, ou muito pouco. Nem na “nossa” sociedade ocorre isso, imagine na Amazônia.

Talvez o problema não seja o índio mudar, e sim não suportarmos a idéia de que se eles deixarem de usar tangas e passarem a ter informação perderão a sua essência. Quem sabe essa seja uma forma de impedir a sua extinção.
Pararei por aqui. Se continuar seria utopia demais. Imaginando algo que não corresponde em nada com a realidade.

Arthur Santana disse...

seu button já está no móó legal!
abraço!