sábado, 18 de abril de 2009

A pobreza é essencial

É impossível um mundo sem pobres. Se eles não existissem, quem iria varrer sua rua ou aparar a grama do jardim de sua casa? Quem liga se eles se alimentam mal e têm que esperar na fila por horas para ouvir o doutor dizendo que a dor que sentem nas costas é por excesso de trabalho? Afinal, a rua precisa ser varrida e você não vai se sujeitar a um trabalho desses. Pois você estudou bastante para vencer na vida e merece algo melhor.
Infelizmente essa é a mentalidade dominante em nossa sociedade. A pobreza é essencial. E o "pobre" é visto como mais uma parte do jogo. E se centenas de milhares de pessoas morrem de fome por ano, é triste, mas é assim que as coisas têm que ser. Porque o sistema não pode parar.
Para onde quer que se olhe, ouvem-se proclames que tudo é possível para quem tem dinheiro e, de certa forma, pelos exemplos que nos cercam, parece verdade. E então o dinheiro passa de nível, colocando-se em um posto mais alto que o do próprio homem (com o dinheiro do meu casaco de pele poderia ajudar várias pessoas, mas eu morreria sem ele).
Hoje é impossível reverter esse quadro e colocar o ser humano em seu lugar de direito, acima do dinheiro, mas até o início do século passado também era impossível para o homem voar. Então, enquanto Santos Dumont não vem nos salvar, só me resta aparar a grama do jardim de casa.

5 comentários:

Sóda Games disse...

Não sei de que época é esse texto.

Mas hoje as máquinas fazer melhor mais rápido e fácil as coisas que antes só poderiam ser feitas por um pobre.
Parabéns pelo blog, abraço.

http://menosbits.blogspot.com

Giuliano Marley disse...

Ah, c'mon! Eles são pobres porque são preguiçosos e não trabalham. Se tivessem estudado e aproveitados as oportunidades que a vida lhes deu, com certeza não estariam onde estão.

[Mudfucker Mode ON]

william disse...

Falta esforço e perspectiva na pobreza.

Giuliano Marley disse...

Se eu fosse um intelectualóide que não consegue identificar um recurso linguístico quando vê um, diria que a pobreza não é essencial, mas sim os trabalhos que hoje são considerados de pobres.

Seria legal ver um gari andando de Fusion.

Nicácio disse...

Se valorizassem o "trabalho de pobre" que geralmente é uma atividade prática e objetiva, pra mim essa objetividade contaminaria o trabalho intelectual.
Mas o problema é mais fundo, por ser uma atividade prática e simples não é possível criar um hermetismo para que só uns iniciados parecessem capazes de fazê-la, ou talvez sim, sei lá, o negócio vem malhado desde tanto tempo que me deixa confuso. Há uma sutileza que não é valorizada talvez.